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Nossa crônica

02 abr 2017 às 16:52
Acordei hoje como as flores sem perfume, como as violetas sem beija-flores, como a terra ansiosa pela chuva... Acordei hoje sentindo saudade de tudo de bom que já vivi, lembrei-me de tardes longínquas em que ouvia gritos dos pequenos ao meu redor, lembrei-me de noites mal dormidas em que cuidar dos pequenos era minha prioridade, não importava o sono, tampouco o cansaço, importava cuidar... Acordei hoje sentindo saudade de domingos em festa, casa cheia, cheiro que exalava da cozinha a apontar o banquete sendo preparado, recordei-me de tantas vezes em que o bolo saía do forno e, ainda quente, era disputado por mãozinhas tão pequeninas... Acordei hoje e me levantei, sem que meus pés tocassem o chão, estranha era a sensação que me tomava, sabia que vivia o agora, mas meu eu tão nostálgico apenas levitava preso que estava nas saudades que ardiam dentro dele. Acordei hoje, mas ainda durmo, tomada que estou num passado já dissoluto, voltar impossível, progredir difícil, caminhar necessário. Por que bons momentos vão-se embora? Deveriam ser tempo sem hora, visita sem demora, sorriso que não se apaga, mão que sempre afaga, cantiga sempre a tocar, o primeiro encontro com o mar.

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