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Nossa crônica

Por Cláudia Bergamini
04 jul 2018 às 23:01

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Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa
Que estamos em época de Copa o mundo inteiro já sabe. Os experts em futebol dão seus palpites, emitem suas opiniões cheias de lógica e eu, que não entendo nada de futebol, ando me encantando a cada partida. Não é para menos. Eu já havia corrigido o erro de não ter mencionado a garra dos sul-coreanos; e os japoneses, na última terça, quase bateram o carimbo de passaporte para as oitavas contra os belgas. Os brasileiros, então, no jogo contra o México, fizeram nosso peito estufar de alegria. Fato é que os jogos são muito mais emocionantes que as novelas que testam a pouca capacidade intelectual do espectador, repetindo enredos de mesmice e chatice, diferente do futebol que a cada jogo traz um conflito diferente que prende a atenção e nos põe ansiosos pelo desfecho. Ainda assim, há um número grande de pessoas que brada ser um absurdo, diante de tantos problemas políticos no país, o povo render-se à Copa. Pois bem! A Copa é um evento esportivo de abrangência mundial. Os problemas do Brasil, assim como os de muitos outros países, não possuem relação com esse evento. O Brasil está sim tomado por uma crise política, moral, ética e financeira, mas comemorar ou não a Copa e assistir ou não aos jogos não alterará essa situação. O que permitirá alterar o status quo do país é o modo como vamos conduzir nosso voto na eleição que se aproxima. É verdade que muitos jogadores ganham um valor altíssimo, porque estão imersos em um sistema de patrocínios e merchandising que também nada tem a ver com as desigualdades presentes em nossa sociedade; porém, nem tudo é luxo no futebol. Há muito que os times brasileiros não conseguem segurar os jogadores que se destacam e existem times que mal conseguem pagar o salário dos seus atletas, aí, a ida, em geral, para a Europa é uma consequência inevitável. Quanto às novelas, com crise ou sem crise, elas estão sempre no ar, com seus atores e atrizes lindos e muito bem pagos, ditando tendências de moda, de comportamento, de vocabulário que as pessoas que andam criticando a Copa seguem às cegas e sem reclamar. Deixemos de lado nossa face amarga causada por tempos difíceis e de descrença no amanhã. Não se trata de pão e circo, mas sim de não permitir que os problemas sejam misturados em uma bacia como se todos estivessem numa mesma massa. O futebol não vai nos tornar apolíticos ou cegos face ao contexto em que estamos inseridos. Aproveitemos os 90 minutos do jogo de amanhã para sorrir, para confraternizar-se, para torcer. Brindemos a alegria que a Copa permite, porque uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. Pense nisso!
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