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Nossa crônica

12 jun 2017 às 09:37
O regresso
O barco navegava à deriva, precisava encontrar o porto onde atracar. Buscou e, quando enfim encontrou, descobriu que era porto de areia e o processo de ancoragem foi vão. Seguiu seu curso ao léu, desgovernado, sem equilíbrio. Como mágica, a terra firme saltou aos olhos. Compreendeu que não existe paraíso prometido, mas sim espaço concreto onde os pés podem aportar com tranquilidade. O regresso alegrou o coração, fez dos olhos escorrerem lágrimas pelo tempo que se esvaiu por entre os dedos, pelo mar que se avolumou com o sal das lágrimas de noites e noites em claro, pelas mãos que desejavam ancorar e porto não encontraram. Agora o barco deseja navegar frente ao sossego e à mansidão. Novo porto é ilusão de olhos vendados que não se permitem ver a areia a circundar o novo. Diante dos olhos se tornaram sólidos chão de terra batida, raízes fincadas à terra, água a brotar da nascente, vida que corre para a realidade de onde emana o verdadeiro porto seguro.

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