A pipa disputada
O menino Gabriel brincava com a pipa no quintal de sua casa. Com toda a despreocupação que acompanha as crianças com 11 anos de idade, via subir seu colorido losango, com a rabiola feita de plástico, roubado das sacolas de mercado que a mãe guardava em um puxa saco. Branca, verde, mesclada, a rabiola também dava cores ao céu azul de janeiro. Momento em que as férias escolares permitiam aos meninos passarem o dia a enfeitar ainda mais o céu azul do verão. O quintal livre de árvores, era o espaço ideal para as manobras radicais com a linha. Puxa aqui, solta ali, desvia acolá e nada de deixar o ‘inimigo’ cortar a pipa. E era assim que estava Gabriel quando viu entrar pelo portão de sua casa dois garotos, que aparentavam ter a mesma idade ou pouco mais que ele. Na ânsia de pôr logo a pipa no céu, Gabriel esqueceu de fechar o portão quando voltou da venda de seu José, onde fora comprar linha, sem cerol, conforme a mãe já havia orientado. Os garotos deixaram as bicicletas na calçada, da cintura tiraram cada um uma arma e se aproximaram de Gabriel que nem havia percebido a chegada dos infratores. "Passa a pipa!", disse um deles, dirigindo-se a Gabriel. O menino empalideceu, soltou o carretel de linha, ergueu as mãos para o alto, gritou: "O sangue de Jesus tem poder." Saiu correndo em disparada chamando por sua mãe. Ela veio do interior da casa, correu até a calçada, ainda houve tempo de ver no final da rua os garotos com a bicicleta. A pipa perdeu-se no céu, assim como a alegria do menino Gabriel que sempre pensou que a maldade era coisa de adultos e que brinquedos não precisavam de serem disputados.
O menino Gabriel brincava com a pipa no quintal de sua casa. Com toda a despreocupação que acompanha as crianças com 11 anos de idade, via subir seu colorido losango, com a rabiola feita de plástico, roubado das sacolas de mercado que a mãe guardava em um puxa saco. Branca, verde, mesclada, a rabiola também dava cores ao céu azul de janeiro. Momento em que as férias escolares permitiam aos meninos passarem o dia a enfeitar ainda mais o céu azul do verão. O quintal livre de árvores, era o espaço ideal para as manobras radicais com a linha. Puxa aqui, solta ali, desvia acolá e nada de deixar o ‘inimigo’ cortar a pipa. E era assim que estava Gabriel quando viu entrar pelo portão de sua casa dois garotos, que aparentavam ter a mesma idade ou pouco mais que ele. Na ânsia de pôr logo a pipa no céu, Gabriel esqueceu de fechar o portão quando voltou da venda de seu José, onde fora comprar linha, sem cerol, conforme a mãe já havia orientado. Os garotos deixaram as bicicletas na calçada, da cintura tiraram cada um uma arma e se aproximaram de Gabriel que nem havia percebido a chegada dos infratores. "Passa a pipa!", disse um deles, dirigindo-se a Gabriel. O menino empalideceu, soltou o carretel de linha, ergueu as mãos para o alto, gritou: "O sangue de Jesus tem poder." Saiu correndo em disparada chamando por sua mãe. Ela veio do interior da casa, correu até a calçada, ainda houve tempo de ver no final da rua os garotos com a bicicleta. A pipa perdeu-se no céu, assim como a alegria do menino Gabriel que sempre pensou que a maldade era coisa de adultos e que brinquedos não precisavam de serem disputados.