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Nossa crônica

Por Cláudia Bergamini
24 mai 2017 às 21:24

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Aprendi com Drummond que não é preciso crescer para ser. Somos desde que gerados. Somos sujeitos de vontades, de discurso, de complexidades, de idiossincrasias. Esta, em especial, é a característica mais complexa humana. Não há ninguém igual a alguém. Essa assertiva, ainda que comum, nem sempre é levada a sério. Penso que é justo no fato de sermos diferentes que reside a atração. Atrai-se pelo outro, sente-se seduzida, encantada, sem respeitar a lógica complexa que habita o interior humano. O complexo é encantador e, concomitantemente, desesperador. Diante do novo nos colocamos em êxtase, dispomos de tempo e doamos a quem desejamos. Como quase uma arte, a sedução é inebriante, sem racionalidade, apenas entrega. Todavia, sujeitos diferentes que somos, ao passo que vamos nos aprofundando no ser do outro, conflitamo-nos com nosso próprio ser. E nisso consiste o entrave que acaba por culminar em sofrimento. Cristalizadas são as falas de que uma ou outra ação é normal. No entanto, tal conceito é relativo, como o é o caráter humano, de forma que o que é normal para um, para o outro soa absurdo. E nesse interim vamos deixando de ser felizes, vamos afastando-nos de pessoas de quem gostamos. Considerando que o gostar só aumenta com o convívio, privar-se dele implica distanciar-se. Bom que cada ser seja único e tenha suas vontades; porém, melhor fosse se as vontades de pessoas tão díspares caminhassem para o entendimento, dando manutenção a uma história que se constrói passo a passo por meio do convívio. Doar tempo, atenção, palavras ternas significa semear a seara de amanhã. Diferenças podem gerar abismos colossais, mas são capazes de estreitar laços infindos e ternos. Como saber qual construir se somos diferentes? A resposta, busque-a em seu coração! Sim ou não indicam caminhos futuros, veredas vazias e plenas, estrada de pedras e de flores, dias de cinzas iguais e outros com novas cores. A diferença entre esses caminhos incide em como desejamos atravessá-los se: somente com nosso eu complexo e cheio de marcas identitárias ou junto com outro eu, cujas marcas fazem parte do conjunto que nos torna seres humanos.
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