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Nossa crônica

Por Cláudia Bergamini
01 dez 2016 às 09:39

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Do cristal de que somos feitos
Em Santo Agostinho, encontramos alguns aforismos que nos maravilham quanto a pensar no homem. Diz ele: "o homem que se espanta é ele mesmo grande maravilha". Ainda nos ensina que o melhor vem do nosso interior, ou seja, dos sentimentos que de nós emanam e que somos carne e espírito. Para alguns, essa dicotomia é um paradoxo. Porém, a verdade é que, diante da morte, melhor mesmo é pensar que somos espírito. A vida, quase um cristal, tem se revelado ainda mais fugaz quando nos deparamos com situações nas quais a fragilidade mostra-se iminente. Pensemos no acidente da última terça-feira, o qual, não se pode negar, causou muita comoção. Pensemos no momento exato em que cada um que estava no avião viu parada a sua vida em matéria. A namorada, talvez, que estava à espera de comemorar a vitória no retorno do namorado. A mãe que já havia convidado a todos os vizinhos para brindarem a taça conquistada com a ajuda do filho. O irmão orgulhoso da irmã que estava a trabalhar naquilo que sempre desejou. A esposa que aguardava em casa a volta do marido. Todas essas vidas foram, de alguma maneira, paradas, uns a perderam e outros estacionaram-na em função da dor da perda. O homem é de fato uma grande maravilha. Todavia, frágil, cristal que se esvai ao simples toque. Foram-se jogadores e outros que com eles estavam, ficaram lágrimas, saudades, dores e uma certeza, pensemos em nós como espíritos, para que sejamos além da matéria e isso nos fortaleça e nos garanta um amanhã mais sorridente e com possibilidades de ir ao encontro da felicidade.
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