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NOSSA CRÔNICA

Por Cláudia Bergamini
03 set 2017 às 21:28

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Que linda casa!!! Telhado imponente, arquitetura delicada e harmônica. Em sua composição não houve excessos nem faltas. Sutileza ao pensar as cores, ao desenhar o formato, ao executar a obra. Saiu a contento e, como diziam os gregos, nada em demasia, tudo em equilíbrio. Quem a contempla perde-se na delicadeza dos tons, no contorno de suas janelas, no gracejo incandescente do carmim de sua porta. Mirá-la, ainda que ao longe, é sentir vontade de conhecer seus cômodos. Saber o que oculta cada cantinho, o que oferece os espaços amplos e o que ainda pode ser feito dos espaços não habitados. Observá-la imponente no centro do verde implica sentir o aconchego convidativo que faz correr para ela quem por ali passa. A casa silenciosa que tanta atenção rouba para si. A casa envolvente que faz o outro contente, mas esconde dor dentro de si. A casa quietinha oculta aquela lagrimazinha que só quem disse adeus pode sentir. Portas sempre fechadas, janelas que não se querem escancaradas, quintal sem muro, grade, nada, mas cujas barreiras invisíveis são intransponíveis para qualquer um. Já pude adentrar, já pude por ela caminhar e o que encontrei foram dois mundos díspares, me assustei. Ouvi choro, lamento, uma voz de tormento, uma lamúria sem fim. Em cômodos pequenos, sozinho, mas pleno, na casa, eu vi um Sol radiante, luz forte, tocante, dá vida à estrela, siso a uma bela, razão para ela não se apagar. Na casa habita, uma esperança bendita que todos os dias faz a Lua brilhar. E longe, bem longe, o Sol só responde que ela não pode falhar.
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