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Nossa crônica

12 abr 2017 às 22:09

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Seu olhar
Ah! Seu olhar...seu olhar me diz palavras tão ternas. Suas mãos me dizem sobre carinho. Sua boca sussurra ternuras em meu ouvido. Impossível não se encantar quando alguém abre os braços para nos acolher. Gosto de pensar no amor como seara farta, como roseira em flor, como árvore carregada de frutos. No entanto, também o concebo como tempestade, como pedras no caminho, como vento sul tocando a face. Não posso amar sem que pondere os dois lados que esse sentimento desperta. Paradoxal por excelência, para o amor há o tempo de ramalhetes rubros e de galhos ressequidos; tempo de águas correntes límpidas e de oásis judiado pelo Sol. Constrói-se o amor justamente nesses instantes antitéticos, nos quais a fragilidade do instante cede espaço para a grandiosidade do que é infindo. E seu olhar, em que hoje vejo transbordar jardins em janelas para vales de beleza ímpar, também haverá de mirar-me quando um dia invernarem-se dentro de nós as chamas da gênese de nosso encanto. Então, docemente, vou buscar abrir a janela para o vale e fazer dela o encantado espaço de nossa cumplicidade.
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