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NOSSA CRÔNICA

14 mai 2017 às 20:07
Dia desses estive no hospital. Não é o lugar no qual desejamos estar, muito menos para dar risada; mas confesso que naquele dia acabei soltando uma ou outra gargalhada diante da situação que presenciei. Enquanto aguardava do lado de fora do quarto, porque a paciente estava recebendo alguns cuidados, acabei ouvindo a conversa de outras duas mulheres. Falavam sobre as palavras. E uma, com ares de quase doutora na língua, dizia à outra que não falasse danado para se referir à criança arteira. Continuava explicando que danado era o diabo. E a outra, muito paciente, ouvia a explicação com aquela cara de quem pensa ‘nossa, quer dizer que não é arteiro, levado?’ Meu Deus!!! A conselheira dizia que era preciso falar que era uma bênção . A mulher ouvia e talvez pensasse em como bênção soava irônico perto das artes que o danadinho fazia. Fiquei com vontade de me intrometer na conversa e dizer que as palavras têm múltiplos sentidos e, de acordo com o contexto, mudam de significado. Vejam vocês, caros leitores, se vejo alguém na rua e pergunto se está joia, quero saber se a pessoa está bem. Se digo a uma costureira que a roupa ficou joia, quero dizer que ficou excelente. Por fim, se vou a uma loja e compro uma joia me refiro a um anel de ouro ou um colar. Assim acontece com danado, que pode ser esperto, arteiro e, para alguns, o próprio diabinho (rsrs). Aprendamos a conhecer nossa língua, saber que as palavras são muito mais que a representação de um único objeto ou qualidade atribuída a alguém. Aprendamos a ter vocabulário e não limitar uma palavra a ser empregada para tudo, como fazia a conselheira com bênção. A língua portuguesa é rica demais e cheia de possibilidades. Brindemos a ela!

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