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Nossa crônica

10 jun 2018 às 19:42

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Sem limites

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Eram amigos já há algum tempo. Estavam na flor da idade, 13 anos de muita energia para gastar. Deixavam correr a hora com a lentidão de quem tem todo o tempo à sua disposição. Falavam em tom alto; usavam as mãos como quem corta lenha; a pele sempre suada denunciava a correria das brincadeiras. Na escola, agiam com a mesma liberdade de sempre. Limites não havia para aquelas duas vidas cheias de vida. O sinal bateu, mas antes mesmo de bater, os dois já se adiantavam rumo ao portão. Depois de algumas horas, respirar a liberdade, sentir o vento no rosto enquanto as pernas rapidamente pedalavam a bicicletinha passada já por mãos de outras gerações. Depois de se adiantarem uma quadra da escola, pararam diante de uma mangueira. Estava carregada de frutos ainda de vez. Sem titubear, largaram as bicicletas no meio fio. Um deles subiu rapidamente no galho, o outro pegou um pau e começou a bater nos galhos que alcançava. Uma virulência febril tomou os meninos. Gritavam, riam, xingavam. Os frutos foram caindo e as ágeis mãozinhas recolhendo um a um e envolvendo na camiseta que virou um embornal. Delícia ver os dois ali, sem regras, sem leis para limitar o instinto animal que habita em todo ser humano. Delícia ver os meninos recolhendo as mangas, enchendo a sacola improvisada e rindo da façanha que conseguiram. Os dois nem imaginam que os limites de amanhã nos tornam humanos formatados e sem espaço para o nosso lado docemente febril.

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