A fúria do corpo
Há um abraço do qual não se pode fugir. Há igualmente um laço, cujo nó parece tê-lo atado para sempre.
Braços enlaçados, mãos que se encontram. O que fazer? É possível fugir? Há motivos para tanto? Quando a noite caiu por definitivo e já não se ouvia mais qualquer rumor, nem mesmo o som distante a anunciar que a cidade ainda tem vida, ela viu-se diante dele. Sentia por certo um carinho e um amor. Amor este ligado a uma felicidade longínqua, em tempos nos quais seus olhos não viam além. Olharam-se. Ele a olhou com desejo; ela, com sofreguidão. Não sabia explicar, não podia compreender, somente sentia que um lugar, um lugar muito diferente havia sido reservado para ela. A chegada a este lugar ainda era indefinida, desconhecida, mas haveria alguém, ela sabia que sim, que a poderia conduzir a esse espaço mágico.
Os olhares continuaram, cada qual com seu mundo, com seus anseios. Os corpos puderam tocar-se. As mãos dele percorreram cada parte do corpo dela e visitaram sua pele adocicada, sua pele apaixonada, sua pele sedenta por outras mãos. Depois, a boca dele pode sentir o gosto que lhe era tão singular. Gosto de mulher que se quer menina.
Enfim, quando ele já não podia mais fugir à vontade que se mostrava tão aparente, tomou-a nos braços, invadiu-lhe à sua maneira. Ela, sonhadora que estava, viajando para um lugar ainda deserto, mas tão pleno dentro dela, só pode fechar os olhos e sentir.
Era o mar em movimentos bruscos, era a vida com sua força, seu vigor. Mesmo vigor que, outrora, saciou-a e ela agora tinha os olhos fechados para sempre em relação àquele momento, àquele sentir, ainda assim, ela rendeu-se ao que deveria fazer.
E o fez...
Rolou, movimentou-se, articulou-se e, em um instante em que eram apenas uma silhueta, ela tentou, desesperadamente, admitir que ali era seu mundo, seu lugar, sua vida.
Então, esqueceu por instantes qualquer possibilidade, esqueceu suas veleidades por novos rumos, em seu coração, tudo o que sobrara fora a resignação.
Explodiram os dois, corpos em fúria, mar em ressaca, vento abundante. Depois, ela fechou os olhos e pensou que aquele instante fora o seu instante, o seu mundo. Virou-se para o lado sentindo uma felicidade estática, conservadora, moldada. E dormiu...
Quando acordou havia um vazio imensurável a dominá-la e seu primeiro pensamento fora procurar o lugar em que tanto desejara estar.
Há um abraço do qual não se pode fugir. Há igualmente um laço, cujo nó parece tê-lo atado para sempre.
Braços enlaçados, mãos que se encontram. O que fazer? É possível fugir? Há motivos para tanto? Quando a noite caiu por definitivo e já não se ouvia mais qualquer rumor, nem mesmo o som distante a anunciar que a cidade ainda tem vida, ela viu-se diante dele. Sentia por certo um carinho e um amor. Amor este ligado a uma felicidade longínqua, em tempos nos quais seus olhos não viam além. Olharam-se. Ele a olhou com desejo; ela, com sofreguidão. Não sabia explicar, não podia compreender, somente sentia que um lugar, um lugar muito diferente havia sido reservado para ela. A chegada a este lugar ainda era indefinida, desconhecida, mas haveria alguém, ela sabia que sim, que a poderia conduzir a esse espaço mágico.
Os olhares continuaram, cada qual com seu mundo, com seus anseios. Os corpos puderam tocar-se. As mãos dele percorreram cada parte do corpo dela e visitaram sua pele adocicada, sua pele apaixonada, sua pele sedenta por outras mãos. Depois, a boca dele pode sentir o gosto que lhe era tão singular. Gosto de mulher que se quer menina.
Enfim, quando ele já não podia mais fugir à vontade que se mostrava tão aparente, tomou-a nos braços, invadiu-lhe à sua maneira. Ela, sonhadora que estava, viajando para um lugar ainda deserto, mas tão pleno dentro dela, só pode fechar os olhos e sentir.
Era o mar em movimentos bruscos, era a vida com sua força, seu vigor. Mesmo vigor que, outrora, saciou-a e ela agora tinha os olhos fechados para sempre em relação àquele momento, àquele sentir, ainda assim, ela rendeu-se ao que deveria fazer.
E o fez...
Rolou, movimentou-se, articulou-se e, em um instante em que eram apenas uma silhueta, ela tentou, desesperadamente, admitir que ali era seu mundo, seu lugar, sua vida.
Então, esqueceu por instantes qualquer possibilidade, esqueceu suas veleidades por novos rumos, em seu coração, tudo o que sobrara fora a resignação.
Explodiram os dois, corpos em fúria, mar em ressaca, vento abundante. Depois, ela fechou os olhos e pensou que aquele instante fora o seu instante, o seu mundo. Virou-se para o lado sentindo uma felicidade estática, conservadora, moldada. E dormiu...
Quando acordou havia um vazio imensurável a dominá-la e seu primeiro pensamento fora procurar o lugar em que tanto desejara estar.