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Nossa crônica

14 dez 2016 às 22:51
Companhia
Ando a pensar em como se constroem as relações entre as pessoas, em especial entre os casais. A intimidade é inerente à convivência, constrói-se à medida que permitimos ao outro nos conhecer e vamos, paulatinamente, aprendendo a ler olhares, gestos, ações e formas de falar. Eis, pois, o sentido da intimidade, a saber: reconhecer o outro. Somado à intimidade está o companheirismo. Este é singular, refere-se a segurar a mão do outro em qualquer que seja a ocasião, fazê-lo sentir-se abrigado por meio de palavras, gestos e ações quando o mundo parece desabar diante de nós. As relações têm e muito de intimidade; no entanto, atirem pedras quem não concordar com minhas ideias, os casais modernos concebem a intimidade como puro sexo. Não que o ato em si não seja íntimo, e como é. Todavia, para além do ardente desejo que envolve os casais, o companheirismo e a intimidade precisam caminhar para a construção de um amor incondicional, puro e tão raro em nossos tempos. O fardo que todos temos de carregar é pesado e árduo, poucos são os companheiros que nos auxiliam nesse processo, poucos são as situações nas quais podemos sentir o abraço do outro de modo a nos permitir entender que não estamos sós. Bom seria se todos tivessem companheiros íntimos para qualquer instante. Bom seria que o compartilhar caminhasse para além dos momentos tênues em que o sorriso toma conta de nós. Bom seria que o sexo pudesse ser pleno sempre, mas plenitude maior se fizesse na construção da companhia cotidiana, no olhar compreensivo e na palavra capaz de sossegar o coração quando estiver em desassossego.

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