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Nossa crônica

Por Cláudia Bergamini
06 jun 2018 às 23:41

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Gosto de pensar nas janelas como espaços que permitem possibilidades. Na minha janela, não costumam chegar muitas. Todavia, algumas guardo-as no coração. As janelas são formas de adeus, um modo de ver o outro, pouco a pouco, distanciando-se e, sem nada fazer, fechar os olhos e apenas pensar que o tempo é capaz de curar todas as dores. As janelas são lugares de chegada, de cumprimento, do riso primeiro que exala o interesse de desvendar para além do sorriso. Janelas são espaços de espera. A moça debruçada não vê a hora de a brisa suave tocar sua janela e adentrar seu coração. É o lugar do encontro, em que olhos se fundem em um único olhar e, quem sabe, para sempre estarão conectados. Janelas abrem-se para o horizonte. À beira delas chegam os pássaros a bicar docemente e com afeto as mãos que vagam soltas no ar. Janela é o lugar do bate-papo à toa da vizinha, da mãe aflita que volta e meia cruza com tristeza o horizonte em busca do filho que ainda não veio. As amigas cantam da janela o epitalamium, ansiosas que estão para que os varões se aproximem. Janelas são espaços para acenar adeus de posse do lenço incapaz de secar as lágrimas que não se acanham em cair. Meu mundo é uma janela dentro de mim. Pintei-a com cores várias. O tempo fez desbotar algumas; porém, outras aqui estão, ora alegres, ora monótonas, mas não desbotaram. Penso que as janelas são o horizonte que tenho para que as lágrimas possam se esvair quando, de relance, aconteça a mágica visita da brisa a tocar meu rosto de maneira tão inesperada.
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