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Nossa crônica

Por Cláudia Bergamini
23 ago 2017 às 21:26

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Não há sinônimos perfeitos. As palavras têm significados similares, próximos, mas perfeição na semântica delas não existe. Isso permite medir a intensidade dos sentimentos. Dizer que uma pessoa é bonita não é igual a dizer que ela é linda. Neste vocábulo há mais implicações que naquele. Falar não é como anunciar ou sussurrar, ainda que todas as ações sejam semelhantes, há diferença nelas. Ouvir também não é como escutar. Ouvir denota perceber por meio da audição, já escutar pressupõe estar atento e consciente para ouvir. Às vezes tudo o que uma pessoa precisa é de alguém para ouvir. Ouvir apenas, sem emitir opinião, porque nessas horas, a fala é um desabafo, é o grito agudo que precisa sair do peito, porque, se permanecer lá, vai continuar ferindo, ferindo até sangrar. Os sinônimos não são perfeitos, as pessoas tampouco o são. E assim a gente vai devagarinho sufocando o dizer, porque ouvir é ação rara de se ver!
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