Meu Deus!!! Não sei se ando muito para trás ou se o mundo é que anda muito para frente. Mas a verdade é que me sinto tão moderninha diante de algumas situações e na mesma proporção retrógrada para outras. Cheguei dia desses num bar aconchegante da cidade, cadeiras no lugar, mesas limpinhas, iluminação boa e um cheirinho de bom ar (humm), maravilha. O caso é que notei chegarem uns jovens bem ajeitadinhos, cabelo alinhado, unhas aparadas e polidas, calça costurada no corpo, agarradinha, camiseta justa, boca em tom nude e um sorriso estilo Colgate, daqueles que saltam estrelinhas ao abrir a boca. Gatos à vista! - diriam as meninas que têm 20 anos a menos que eu. Tá bom, confesso, eram bonitinhos. Mas fiquei olhando, olhando como quem admira uma paisagem para depois compará-la à outra. Só que a outra paisagem que veio à minha memória foi bem diferente. Pensei em outros meninos, alguns de tempos passados e tantos de agora. Sobrancelhas grossas, cabelo mais despojado, calça com boca mais larga e uma cara de ‘sou do jeito que Deus me fez’ da qual não dá para fugir. Não me julguem preconceituosa. Os metrossexuais são símbolos de vaidade e exemplo de cuidar de si. Mas o saudade que às vezes dá de ver um homem mais ao natural, sem querer competir com as mulheres na maciez do cabelo, no trato com a unha ou na textura da pele. Claro que, independente de sexo, bom é ver o ser humano cuidando-se, mas a demasia faz mal para quem pratica e para quem vê. Lição boa a dos gregos que diziam ‘nada em exagero, tudo em equilíbrio’ e isso serve para mulheres e homens. A virtude da vaidade consiste nesse equilíbrio, buscar a beleza sem deixar a artificialidade imperar, penso ser esse um bom caminho!