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Nossa crônica

Por Cláudia Bergamini
02 set 2016 às 08:31

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Ah, bola! Como te deseja o louco por futebol. Corre atrás de ti como se fosse única deusa a existir no universo. Sedento que está, para ti desenha com os pés as mais belas manobras. Faz dos gestos, para se aproximar, verdadeira poesia. Se longe tem de ficar, enlouquece. Procura-te pela manhã com a ânsia do bebê faminto. Pela tarde, rola contigo com a alegria do menino em seu primeiro gol. À noite, põe-se lobo a uivar para te seduzir. E tu, encantada bola, a acreditar ser sempiterna. Mas, toda bola tem o momento de ser a da vez. Toda bola tem o momento de ser a deusa a seduzir seu aficionado. Algumas levam um pouco mais de tempo para sair de campo, mas quando é chegado o momento: au revoir. Se não quer, entenda, ser a bola da vez tem dia e hora para acabar. Não é eterna a poesia que emana de ti e sempre haverá outra e outra e outra a merecer a paixão avassaladora do amante. Sempre haverá outra a fazer brilhar os olhos, a estremecer a respiração, a incendiar o corpo. Logo, passado o momento, sair de campo é honroso. Descansar da jornada intensa é cabível. E o outrora louco por ti, vai descobrindo outras e outras e outras, paulatinamente, que um dia também deixarão de ser tão sedutoras. E tu não habitará cá na Terra sempre triste, porque mais do que bola, tu és forte, mulher!
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