O mundo é espaço multicolor, por onde circula gente de todo tipo. Cor de cabelo, cor de pele, formato do rosto, estatura, são muitas as formas que fazem do mundo um espaço colorido. Isso é maravilhoso, mas o que chama minha atenção mesmo em relação a essas ‘gentes’ é o modo como pensam, como articulam ideias, colocam em prática vontades, fazem aflorar sensações. Andam por aí grupos diversos. Há os que defendem a mulher; outros que empunham bandeiras partidárias; aqueles que argumentam pela liberdade; tantos, por religiões; poucos, por justiça; menos ainda, por sinceridade. Por causa dessas bandeiras levantadas como verdades universais, o mundo, este lugar matizado, tem se tornado unicolor. Os pensamentos parecem ter sido moldados em formas cheias de preconceitos, inverdades, intolerâncias e muitas, mas muitas maldades. O caráter, irretocável no passado, parece que passou a ser, para muitos, movediço. A palavra dada, cujo valor se esfacelou, compete em desvantagem com o papel assinado, que tem menor relevância ainda. Os ativistas de discursos longos, que chegam a espumar o canto da boca ao bradarem por direitos humanos isentos de qualquer ato que prejudique o homem, olham para os seus umbigos e vibram com os benefícios que a desgraça alheia proporciona. Assim caminha a humanidade, permitindo que tudo o que seja sólido, construído ao longo de anos de trabalho pautados no esforço e na sinceridade, se desmanche no ar. A integridade do discurso inexiste, assim como a do comprometimento do homem para com ele mesmo. Se no passado a modernidade assustava por suas máquinas e engrenagens que faziam pessoas escravas do trabalho, o susto hoje advém da articulação do pensamento humano, pois mentes são traiçoeiras, o que a boca profere a mente não confirma e as ações se distanciam do discurso com a velocidade com que uma máquina produz.