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Nossa crônica

Por Cláudia Bergamini
27 set 2017 às 21:45

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Paulo era o tipo perfeito. Vaidoso que só, sabia que, ao chegar, os olhares se voltavam para o sorriso sedutor, olhos brilhantes, cuja mirada fazia a mulher se sentir joia rara em meio a tantas preciosidades. Paulo era o cara que pegava todas, boa conversa, corpo atlético, gostava de ser disputado, de saber sobre as apostas feitas pelas tantas mulheres que queriam conhecer o sabor daquela boca. Sabia passar a contada certa e fazer a moça sentir-se a mais sensual do mundo, e a primeira da fila na preferência dele. Paulo era o deus grego dos sonhos femininos. E o Zé? Ora, quem era o Zé. Zé era o sujeito humano, normal, daqueles que são chamados de ‘bonitinho’ pelas moças. Nem tímido, nem extrovertido, eu diria, no ponto. Não havia apostas para ver quem ficaria com ele, tampouco os olhares se voltavam a ele nos lugares em que chegava. Mas alguma coisa acontecia com o Zé. Cada jovem que começava a conversar com o rapaz, pronto, se apaixonava. Dono de boa prosa e excelentes ideias, aprendeu a compensar a aparência de deus grego que lhe faltava com pequenas sutilezas. Delicadezas em gestos e palavras que faziam com que a mulher que com ele estivesse não se sentisse a mais importante pedra preciosa, nem a mais sensual entre as mulheres, mas se sentir a única merecedora de atenção, a única a ser ouvida, a única a ser compreendida. Depois de uma hora ouvindo, Zé, sujeito entendedor do sexo oposto, tinha diante dele uma pedra rara, já moldada na forma da simpatia. Não sei se alguma mulher resistiria à atenção carinhosa de Zé e se todas teriam percepção para entender que ser pedra preciosa é mais que ser símbolo de sensualidade. Paulo e Zé não são tão distintos assim, ambos querem encantar. A diferença reside no modo como tratam a mulher. Claro que ainda tem mulher que prefere o lado mais bandido de Paulo, mas prefiro pensar (e acreditar) que a maioria já sabe que mais importante que ser posta como deusa da sensualidade é ser vista como mulher.
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