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Nossa crônica

24 jan 2018 às 21:29
Eu a conheci há quase 20 anos. Havia nela olhos de alegria, vida que pulsava com a pressa de quem quer ser feliz. Não se casou, talvez a deficiência na perna, herdada de uma paralisia infantil a tivesse deixado para titia, como se costuma dizer. O desejo da maternidade, porém, tão latente em mulheres interioranas que foram esculpidas em formas de casar e ter filhos, não a abandonou. Adotou dois meninos. Diferença pouca de idade entre os irmãos que, por algum motivo, só conheceram o amor por meio daquela mulher que nunca fora amada. Criou-os com zelo, carinho, cuidados. Contava com a ajuda da mãe para criar os filhos. Os caminhos trilhados pelos filhos nem sempre são aqueles escolhidos pelos pais. Na verdade nunca são. E um dos meninos escolheu o caminho errado. Morreu aos 17 anos vítima de um acidente trágico. Hoje eu a vi de novo. Estava sentada numa banqueta na varanda de sua casa. Olhava para o nada, olhar perdido no horizonte, ao me aproximar, pude ver as lágrimas que a mulher rapidamente secava com as mãos. Senti saudade da vida que havia nela. Senti saudade de encontrar com a mulher que conheci há 20 anos.

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