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Nossa crônica

Por Cláudia Bergamini
05 nov 2017 às 23:16

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Terminei um livro esses dias. Muito boa a sensação de conhecer outras vidas, dramas, alegrias, conflitos humanos que soam bem próximos à realidade e nos levam à deliciosa viagem de conviver com o personagem, refletir sobre o que se passa com ele, sentir-se no lugar dele, chorar, resmungar, gargalhar. Enfim, ler é buscar , na ficção, colocar-se no lugar do outro, aliás, atitude rara de se encontrar. Ao chegar ao final do livro, duas sensações me tomam: a de pesar, porque as vidas com as quais convivi ganharam um ponto final; a de satisfação, pois a ficção parece sempre ser capaz de escolher para o personagem o melhor fim. É neste momento do ‘the end’ que fico horas e horas desejando que os pontos finais fossem mais sólidos quando se trata da vida real. As pessoas de carne e osso, personagens do cotidiano nosso de todo dia, não tendem a aceitar com pesar ou satisfação o ponto final. Basta parar um pouquinho e ver como há relacionamentos que se estendem por anos, afogados e afogando quem não aceita saltar do barco antes que ele naufrague de vez. Relacionamentos não são contratos comerciais que se rompem de modo simplório, embora eles tenham lá suas formalidades. Se a boca já não anseia pela outra, se o corpo mantém-se inerte ao toque, as palavras já não dão manutenção ao contrato que os olhos antes asseguravam, o que fazer? Passar as horas lamentando não ser mais o melhor amigo, a musa ou o homem dos sonhos? Não sei se a resposta pode ser tão objetiva como o são os finais dos livros. Porém, penso que ela pode existir e ser uma resposta coerente, que vise ao bem-estar das pessoas envolvidas na trama real. Amor é estado de graça, ofertado de graça e, se não for assim, não tem graça.
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