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Nossa crônica

Por Cláudia Bergamini
23 jan 2017 às 13:05

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Bela, menina
A menina aproximou-se da mulher. O cheiro de infância tomou conta do lugar. Do alto dos seus quase 80 anos, a mulher viveu um d’javu, em sua mente passaram tantas cenas de um passado bem longínquo em que os dias eram brincadeiras de roda, eram sorrisos e despreocupações. Agora a velhice, a saúde, a solidão... Olhou para a menina e começou a pensar quanto dela já morto havia naquela criança. Pensou, pensou em voz alta. Menina, menina, quanto de mim vejo em ti, neste sorriso formoso, neste falar de sonhos, que também já vivi. Menina, menina, nestes olhos teus, quanto vejo de alegria que em mim já se perdeu. Na tua vida, menina, ainda não há breu, porque não conheces a dor de quem já disse adeus. Nas tuas mãos, sinto o calor do querer, sinto fluir a energia, basta te olhar para perceber. Nos cabelos há brilho, na pele há frescor, em mim tudo opaco, se me olhar verás dor. Menina, menina, um laço no cabelo, uma flor para enfeitar te embelezar por inteira. Menina, teu sorriso não percas jamais, pois ele me encanta, pensando em dias que não voltam mais. Olhando-te, menina, revivo meus dias e fico feliz com tua companhia.
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