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Nossa crônica

Por Cláudia Bergamini
21 nov 2016 às 09:34

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Entre a razão e a emoção
Nunca fui romântica, aquele tipo de romântica que, ao simples olhar, já se coloca em meio a fantasias e devaneios. Gosto de meu lado realista, objetivo, direto e sem meias palavras. Ser assim, ainda que me faça afastar-me das pessoas, é uma forma de defesa. Defendo-me de mim mesma e de todos os medos que me envolvem. Sei quem sou, sei o que quero, sei exatamente medir cada sensação de calor ou de frio que passa por meu interior e, não raras vezes, fujo. Fugir, fugir, fugir... é um fugir que deseja ficar, é um fugir com vontade de ser segurada, um fugir cheio de sentimentos contidos, porque como realista que sou, os pés carecem de tocar em solo firme, de dançar uma valsa repetida tantas e tantas vezes, mas cujo compasso é sempre acertado.
Desconcertos, ora, deixemos de lado os caminhos inseguros, a areia movediça, a terra que de tão encharcada faz os pés dançarem a cada passo. Brindemos a estabilidade, a segurança, a mesmice de todos os dias. Sim, brindemos a mesmice, porque é dela que se fazem os passos seguros, as fotos em que se pode sorrir, mesmo sendo necessário ocultar, lá do fundo, aquela melodia que extravasa a alma, aquela chama que move o desejo, aquele sorriso que só pode ser dado quando algo verdadeiramente nos completa.
Não sei, desconfio que seja realista. A certeza, ao passo que permito sentir o que sinto, desejar o que desejo, acender o que deveria apagar-se, a certeza se me escapa pelos dedos, me escapa pela ponta da língua, pois a cada palavra proferida sinto-me deliciosamente romântica.
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