Adeus não foi feito para se dizer, assim é a letra de uma canção que embalou muitos corações. E quem está preparado para dizer adeus? Não, eu não estou! Dizer adeus é difícil sobremaneira, ainda mais quando envolve despedir-se de quem amamos. Entre idas e vindas, chega, pois, o momento doloroso. Aquele momento em que nos apegamos em palavras vis, já sem sentido porque desejamos manter o laço, o qual não queríamos desfazer. Todavia, a plataforma do encontro é também a da partida e nela deve ficar guardado o último sorriso, o último olhar e, por fim, o último aceno. Não aprendi dizer adeus, porém há pássaros cujas asas vão bem além de onde podemos alcançar e, dessa maneira, resta-nos apenas acenar levemente a mão. Colocar no rosto um último sorriso ou ainda digitar as últimas palavras para que o ponto final seja, enfim, o ponto final. Há momentos que entendemos que o ponto e vírgula é um fôlego entre a esperança e o fracasso. O ponto de interrogação é o espaço entre a dúvida e a certeza. O de exclamação, o lugar entre o riso e o espanto. No entanto, os sinais da partida indicam a necessidade de um ponto definitivo. O condutor não espera! A vida não espera! A dor dilacera! O coração atrofia por sofrer! O ponto final, imperioso e contundente é o dono da vez e na luta contra ele não há vencedores, as batalhas são nulas e os instantes belos sufocam-se sem espaço para pensar no florescer de amanhã.