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Nossa crônica

13 fev 2017 às 00:07
Equações e inequações
Razões para te amar tenho aos montes. De muitas rio, por outras me arrepio, em outras vario e há ainda aquelas das quais me desvio. Saberás porque te amo, pois de dois modos te conto. Entrego-me quando contemplo teu rosto, mesmo quando ele está perdido em outras nuvens; e ainda quando te escuto, severo, de falares austeros e sem mansidão, apenas consinto que certo estás, porque sei que tua austeridade, bem lá no fundo, demonstra teu cuidado.
Há razões para te amar, porque eu, ansiosa, impulsiva, permito-te que me domines, resisto sim, eu sei, mas a cada dia tenho apontado para mim mesma que minhas inequações são equações racionais e verdadeiras proferidas por teus lábios. A cada dia começo a te amar, revivo sentimentos, nego momentos, cuspo em tormentos e finalizo minhas negações equalizando o que sinto por ti. Há uma presença em tua ausência que não posso compreender. Há uma vida em meu destino desditado e incerto que me faz sempre correr para o teu encontro. Se ouço estrelas, é por ti. Se vejo flores em pedras, é por ti. Mas não se iluda me achando assim tão menina, pois em ti também vejo desventuras e ainda que delas me esforce em fugir, a cada dia é em direção delas que caminho. Eu te amo e, neste amar, amo ainda mais a mim. Amar-te exige de mim não conjugar esse verbo no futuro, prefiro o presente, construído a cada dia, a cada chamada e gosto também do pequeno emprego do pretérito que já pode ser posto para falar de, talvez, um nós. A palavra é para mim demonstrar o sentir e nela encontro uma inspiração a crescer, tu tens sido meu motivo. Não é único, eu sei, mas é o maior que já pude encontrar. Porque amor é amor e pronto. E o meu só pode ser teu e ponto.

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