O pote
O pote ficava guardado em cima da geladeira. A menina insistia todos os dias que queria saber o que havia nele. A mãe, sábia mulher que aprendera com a vida a ciência da espera, ia ludibriando a filha com outras histórias e o pote continuava lá. Quase nenhum luxo havia na casa. No alto da geladeira, ele reinava imperioso, com adornos dourados, deixava a cozinha mais bela e os olhos da menina sempre atentos a ele. O pai nada sabia, a não ser a regra de que a pequena não poderia tocar nele. À medida que o tempo passava, a mãe ia cuidando para que o interesse da menina pelo pote não diminuísse. As crianças, pensava a mulher, são mais curiosas com aquilo que as cerca, já os adolescentes têm curiosidade por aquilo que é desconhecido. Dona Gilda, este era o nome da mãe, acertou em seu prognóstico. Conforme os dias foram levando a infância da filha, o interesse pelo objeto misterioso diminuiu. Gilda agiu para contornar a situação. Naquele fim de manhã, quando a jovem Mariana chegou da escola, ficou curiosa com o que viu. Lá estava ele, adornado com uma fita dourada e com botões vermelhos. Os olhos da menina voltaram a irradiar o mesmo brilho de antes. Tocou-o, mas não o abriu, sabia que não lhe era permitido. Um dia, disse a mãe para Mariana, conhecerá o segredo que tanto lhe intriga. Dona Gilda sorriu diante do consentimento da filha. Nada havia dentro do pote a não ser o fato de ele ser o meio de manter entre mãe e filha a cumplicidade e desejo de juntas abrirem o pote. Que possamos todos termos potes em nossas mãos e que, juntos com quem amamos, possamos compartilhar da alegria da descoberta.
O pote ficava guardado em cima da geladeira. A menina insistia todos os dias que queria saber o que havia nele. A mãe, sábia mulher que aprendera com a vida a ciência da espera, ia ludibriando a filha com outras histórias e o pote continuava lá. Quase nenhum luxo havia na casa. No alto da geladeira, ele reinava imperioso, com adornos dourados, deixava a cozinha mais bela e os olhos da menina sempre atentos a ele. O pai nada sabia, a não ser a regra de que a pequena não poderia tocar nele. À medida que o tempo passava, a mãe ia cuidando para que o interesse da menina pelo pote não diminuísse. As crianças, pensava a mulher, são mais curiosas com aquilo que as cerca, já os adolescentes têm curiosidade por aquilo que é desconhecido. Dona Gilda, este era o nome da mãe, acertou em seu prognóstico. Conforme os dias foram levando a infância da filha, o interesse pelo objeto misterioso diminuiu. Gilda agiu para contornar a situação. Naquele fim de manhã, quando a jovem Mariana chegou da escola, ficou curiosa com o que viu. Lá estava ele, adornado com uma fita dourada e com botões vermelhos. Os olhos da menina voltaram a irradiar o mesmo brilho de antes. Tocou-o, mas não o abriu, sabia que não lhe era permitido. Um dia, disse a mãe para Mariana, conhecerá o segredo que tanto lhe intriga. Dona Gilda sorriu diante do consentimento da filha. Nada havia dentro do pote a não ser o fato de ele ser o meio de manter entre mãe e filha a cumplicidade e desejo de juntas abrirem o pote. Que possamos todos termos potes em nossas mãos e que, juntos com quem amamos, possamos compartilhar da alegria da descoberta.