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Nossa crônica

Por Cláudia Bergamini
21 fev 2018 às 20:44

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Hoje é dia 22 de fevereiro e todo dia é dia de comemorar um fato que por alguma razão marcou nossa vida. Na verdade, hoje é aniversário de meu sobrinho, 11 anos de vida, 11 anos de alegria, de manhas, de brincadeiras, de joelho ralado, de cair da bicicleta; enfim, de viver a melhor fase da vida, a infância. Foi com essa idade que Isadora Duncan revelou uma tendência singular para a dança e, ainda, um estilo coreográfico próprio. Não sei em que ponto da minha vida a história dessa mulher se tornou para mim importante, mas a filha de um poeta e de uma professora de piano, a menina, nascida em 1877 em São Francisco nos Estados Unidos, impressionou o velho continente quando, em 22 de fevereiro de 1900, se apresentou em Paris, criando um estilo que viria a ser o broto da dança moderna e, ao ler sobre ela, não lembro quando, só sei que não pude mais esquecer. O espírito livre de Duncan me impulsiona, ela apresentou na Europa uma dança sem espartilho, meia e sapatilha de ponta, usava trajes esvoaçantes, cabelos soltos e pés descalços. Em suas apresentações, adotou músicas que, à época, não eram utilizadas, a exemplo de peças de Chopin e Wagner. Defendeu com veemência no palco um espírito livre e revolucionário, sem perder jamais a poesia, quebrou convenções e influenciou a cultura musical. Na vida pessoal, também quebrou tabus para a sua época. Viveu maritalmente com o cenógrafo inglês Gordon Graig e com o parisiense milionário Eugene Singer, teve um filho com cada um. Mais tarde se casou com o poeta soviético Serguei Essenin que três anos depois do casamento se suicidou. A vida profissional de Isadora foi de vitórias, uma longa carreira e a fundação de uma escola na Alemanha que favorecia crianças que não podiam pagar pelo curso. A poesia doce envolveu-a na dança, mas uma poesia amarga pairou sobre sua vida. Perdeu num trágico acidente no rio Sena os dois filhos e ela morreu na Riviera Francesa sufocada pela echarpe que ficou presa nas rodas de um carro. Para mim, não foram as tragédias que marcaram, mas a coragem que ela sempre teve para escolher, sem medo de ser apontada, agia com o coração, impulsionada por algo muito maior que a tomava e a fez estar sempre à frente de seu tempo. Versos de uma canção dizem que todo poeta só é grande se sofrer, com a poetiza da dança não foi diferente e, ainda assim, de seu corpo, ela fazia brotar a poesia de novidades e ousadias que ao longo dos anos permaneceu.
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