Eu era muito pequena quando provei o sabor do caju. Lembro como me encantou aquele doce molhado, suculento, cheio de uma carne amarela a me oferecer néctar à medida que ia sendo sorvida. Estava no Mato Grosso do Sul e não entendia, com seis anos de idade, que a fruta não era de lá. Dez anos depois, provei de novo aquele sabor, em São Paulo. Fruta colhida na caixinha da banca do feirante, saborosa. Meu paladar reviveu o sabor do passado. Os anos trouxeram facilidade para comprar frutas. Não é necessário esperar anos a fio para repetir a sensação que um sabor provoca, por isso tomei uma decisão: plantar um cajueiro. Tive a oportunidade de ir ao Piauí este ano e lá pude deliciar-me com a fruta típica do Nordeste. Como era inviável trazer a fruta, decidi trazer sementes, as castanhas... Ouvi com atenção a explicação de um senhor da feira de lá de como eu deveria plantar a semente e cuidar dela para que vingasse. E segui passo a passo o ensinamento e, agora, três meses depois de minha viagem aguado ansiosa para que a árvore cresça, floresça e possa me oferecer o sabor da infância.