Notícias

Nossa crônica

11 abr 2018 às 20:53
O maniqueísmo é o nome de uma doutrina filosófico-religiosa, cuja origem aponta para o século III. Nesta doutrina, existem dois lados: o bom, representado por Deus, e o mal, representado pelo Diabo. Nos contos de fada, as personagens são maniqueístas; há o príncipe, herói, cheio de virtudes, modelo de beleza, e o vilão ou vilã, que pode ser a bruxa feia com verruga no nariz ou o homem mau, bem barbudo e com dentes podres que deseja acabar com a princesa ou o príncipe de caráter intocável. No início deste século, Shrek e Fiona encantaram crianças e adultos por serem heróis relativizados. Em outras palavras, são humanos, cheios de defeitos, fogem dos padrões de beleza impostos pela sociedade e, ainda assim, são lindos e cativam por serem o que são. Na Literatura, Machado de Assis soube dar vida a personagens de caráter relativizado, isto é, não são bons o suficiente para não cometerem erros, mas também não são maus o suficiente para fazerem apenas maldades. Pois bem, acreditava que essa relativização seria seguida ao longo deste século; no entanto, assisto, no Brasil, à exaltação do maniqueísmo se acentuar intensamente. Todo dia me deparo com aqueles textões que mostram o certo e o errado como se os valores e conceitos fossem claros e fáceis de delinear. E a guerra nas redes sociais e no ‘cara a cara’ se inicia. Não há olhos para ver que os mocinhos lindos e donos da razão nem sempre são aqueles detentores da verdade e que as verdades são transitórias. Vivemos o retorno do maniqueísmo em todos os âmbitos e deixamos de enxergar o que de fato deveríamos, a saber: os pontos que fazem de nós homens bons e maus concomitantemente, cheios de defeitos e encantos, de ternuras e rudezas, de dores
e amores.

Continue lendo