Era ainda bem jovem quando conquistou seu primeiro bem. O dinheiro, juntado por dois anos, veio do trabalho árduo de estagiária mal remunerada que se submete a trabalhar muito e ganhar pouco enquanto cursa a universidade. Estava muito feliz. Havia meia hora que a jog, branca e lilás, viera para suas mãos. Não pensou em outra coisa a não ser comemorar com a irmã a conquista tão importante. Ligou para ela e as duas combinaram de almoçar juntas. A ocasião era especial, na verdade, especialíssima. Ao meio dia parou a pequena motocicleta em frente ao escritório em que a irmã trabalhava. Esta já a esperava, feliz e ansiosa para partilhar daquele momento. A jovem saltou da moto. Tirou o capacete e antes mesmo de mostrar sua possante, olhou para a irmã e disse: ‘Não sei, tem alguma coisa errada com este capacete! É novo, acabei de comprar, mas acho que a viseira veio estragada, pois não enxergo nada.’ Sem entender nada de capacete, as duas analisaram o produto e, de repente, dispararam a rir. O capacete nada tinha de errado. A nova motorista é que esqueceu de tirar da viseira o plástico de proteção. Passado o riso, as duas se perguntaram: ‘Onde vamos almoçar?’ Olharam-se e afirmaram que nenhuma delas tinha dinheiro. Aí, a jovem motociclista disse: ‘Bora lá pra casa que tem um macarrãozinho de ontem’. Subiram na jog, e saíram as duas felizes da vida. Quem torna grande as comemorações somos nós e não o que comemos, vestimos ou onde estamos. A felicidade são instantes da vida que só acontecem nos momentos de descuido.