O início da semana foi regado por água e mais água. Que bom! A água simboliza a vida, a fertilidade e a certeza do florescer. Aliada à água, também marcou o início da semana a reflexão sobre a vida e a morte, suscitada nas questões da prova do vestibular da Universidade Estadual de Londrina. Não sei se providencial ou apenas coincidência, mas a semana de fato esteve envolta em vida e morte. A chuva foi intensa, destruição em alguns pontos e vida em outros, porque a chuva faz brotar árvores, germinar a semente, desabrochar a flor. Hoje é finados. Dia em que, querendo ou não, ao menos um minuto é dedicado às pessoas que finalizaram o ciclo da vida. Não me nego a aceitar a perda de pessoas que amo. No entanto, impossível negar a permanência da vida após a morte. Lembranças são o instrumento que traz vivacidade aos que se foram. Objetos, aromas, lugares, sabores, músicas... Justamente a lembrança inerente ao homem é quem acarreta sofrimento. A consciência de saber que a saudade é o que resta e a mesma consciência converge todo dia para a impossibilidade de mudar a realidade. A chuva inundou ruas, transbordou o lago. A saudade inunda o peito, faz os olhos se perderem em meio às lágrimas. Ir ou não cemitério é apenas um detalhe, porque saudade é inundação que nos toma em qualquer lugar.