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Nossa crônica

Por Cláudia Bergamini
16 ago 2017 às 23:26

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A poeira vermelha anunciava a estiagem que se estendia há mais de mês. O vento do último domingo fez os campos avermelharem a estrada e as folhas dançarem por entre a plantação. Na boca ressequida, o gosto do clima seco e carecido de água. O rio abaixo do nível pedia ao céu uma trégua neste inverno tão parecido com os dias secos de verão. No finzinho da tarde de domingo, uns pingos densos começaram a chegar devagarinho, mas foi na segunda que de cima veio o presente desejado. Gota a gota ia sendo absorvida pelas árvores de folhas já amarelecidas, pelas plantas sem dono que enfeitam os jardins naturais, pela natureza sedenta que se sentia como criança diante do brinquedo. Pausa para a colheita do milho que, embora prontinho para ser colhido, pode esperar mais uns dias, enquanto a chuva vem alimentar a terra. Chuva é vida que se renova, é o campo preparando-se para a nova plantação, são as árvores alimentando seus frutos e nós, humanos, renovando nossa esperança de um amanhã farto, porque do céu vem a fonte da vida.
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