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Nossa crônica

21 mai 2017 às 20:31
Há dias não ia à sacada. Tirei alguns minutos hoje para dedicar-me a elas, minhas orquídeas. Já me ofereceram flores durante os meses de março e abril. Que surpresa fantástica tive ao ver que a orquídea lilás está a me ofertar uma vez mais a oportunidade de vê-la florescer. Ainda restam algumas flores no vaso com a orquídea branca. Todavia, a satisfação que senti ao ver os botões que se insinuam é indescritível. Toquei levemente no pêndulo, assim como quem segura uma pedra preciosa, tirei uma foto, porque não são em todos os dias do ano que me deparo com essa cena singular. O novo broto que vi, ainda miúdo, despontar no vaso, aliado aos botões, a indicar que logo o colorido vai adentrar o ambiente, colocaram em festa meu coração que anda tão acinzentado. Flores são vida, são renovação, são formas de iluminar o ambiente e trazer à baila as nuances perdidas ou sufocadas pelo viver. Ainda restam algumas semanas de gestação para que minha sacada se torne lilás, mas para mim já flui o despertar do novo, junto com a possibilidade do desabrochar. Vejo a orquídea com seu galho com botões como o amanhã. Não sei ainda quanto tempo vai levar para que a cor se acomode em meu coração. Contudo, meu pequeno botão de orquídeas lilases vem abrandar o cinza sempiterno e me dizer que não tarda para que o monocromatismo se transforme em cor viva por meio da qual a vida se faz.

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