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Nossa crônica

Por Cláudia Bergamini
29 out 2017 às 23:11

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Não vi ainda nenhuma bruxa. Pelo menos não daquelas que usam uma roupa preta, unhas enormes com mãos deformadas e uma verruga na ponta do nariz. Nunca ouvi aquela risada estridente e jocosa que faz arrepiar a pele e tremer as pernas de medo. Bruxas assim habitam o imaginário infantil! Habitam o tempo em que a vida se faz poesia a cada dia, em que esperamos das palavras e das pessoas muito mais do que elas são, em que inauguramos a imaginação a cada manhã, sempre à mercê de um grande acontecimento. Nunca vi bruxas. Porém, eu sei, elas andam por aí, à solta, passam às vezes tão despercebidas que nem nos damos conta de que vêm a qualquer momento nos tirar a paz e o sossego. Não as odeio, tampouco sinto medo, mas não posso dizer que devoto a elas o mais nobre dos sentimentos. Quero apenas a distância. Que fiquem em seus mundos com suas homilias longas e cheias de razão. De meu sossego cuido eu, não as bruxas. Estas desde muito me tiraram a paz, mas se digo faço, ah, eu faço. Quem não me conhece duvida. Mas quem por mim já passou sabe bem de que falo. E faço! Então, não creio em bruxas, ainda que saiba que elas existem, mas bem longe de mim!
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