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Nossa crônica

Por Cláudia Bergamini
15 mar 2017 às 20:45

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Não me imagino sem escrever, poemas, crônicas, pensamentos. Desde muito pequena a escrita veio ser minha companheira. E a poesia, a essência de sentimentos que se vê nos textos, também veio fazer morada em meu coração. E como no dia 14 se comemora o dia da poesia, não poderia deixar de falar sobre ela, porque vive em mim de formas variadas. Vive dentro de mim uma poesia mundana, cheia de caminhos tortos, poesia atrevida, tomada que é pelo riso embriagado do prazer. Vive dentro de mim uma poesia elegante, madame de pérolas e plumas, caminha com orgulho sobre o veludo e divaga sobre a sutil futilidade do existir. Vive dentro de mim uma poesia sofrida, desperta ainda madrugada para o árduo trabalho da roça, poesia de linguagem torta, mãos calejadas e suor na testa a escorrer. Vive dentro de mim uma poesia marginal, cheia de ousadias na noite, prostituta a vagar por poemas tão calorosos. Vive dentro de mim a poesia materna, Madona de véu, olhos doces, mãos que afagam. Vive dentro de mim uma poesia criança, menina de trança, gingando na ciranda com os pés no chão. Vive dentro de mim uma poesia arteira, mulher provocante, louca, faceira, que com palavras tece um universo tão seu. Vive dentro de mim uma poesia dolorosa, sai às vezes sisuda por conta da dureza que a vida impõe. Vive dentro de mim uma poesia religiosa, que gira com as rezas e gosta de cantar para seus ancestrais. Vive dentro de mim uma poesia miúda, monólogo que brota lá do fundo do peito soando muitos ais.
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