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Nossa crônica

Por Cláudia Bergamini
07 jan 2018 às 22:28

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Extraordinário
Não sei se posso chamar de crônica este texto. Talvez melhor pensar em uma reflexão sobre o que passou em minha cabeça quando assisti ao filme Extraordinário. Wonder, título original, refere-se de fato a algo maravilhoso, que sai do lugar comum, extraordinário. O enredo em si não me chamou muita atenção, uma vez que é banal nos filmes dos Estados Unidos o mocinho sofrer no início e, depois, dar a volta por cima. O mocinho, em Extraordinário, é uma criança que, aos 10 anos, chega à escola. De uma capacidade intelectual muito acima do que se espera para uma criança da idade dele, Auggie tem Síndrome de Treacher Collins; grosso modo, uma má formação do crânio e da face, deixando seu rosto desconfigurado. Claro que o tema maior é o bullying, pelo qual o menino passará porque é diferente e não se enquadra dentro do que a sociedade denomina ‘normal’. Porém, o que despertou minha fascinação pelo filme foram os paradigmas quebrados, não sei se de propósito ou de forma não intencional. Isolado pelas demais crianças por sua aparência, o menino inicia, depois de uma decepção com um amiguinho, uma amizade com Summer, uma menina de sua turma, negra. Igualmente, Olívia, a irmã de Auggie, deixada de lado por causa dos cuidados que os pais têm de dedicar ao irmão, encontra em Hollister mais que um namorado, um amigo, o rapaz também é negro. Dois professores ajudarão Auggie a vencer o preconceito, um deles, negro. O modo como essas pessoas contribuem para a mudança na vida de Auggie é extraordinário. É claro que o menino é a estrela do filme, mas a escolha de personagens negras para serem aquelas que vão ajudá-lo a ser olhado apenas como Auggie e não como um ser ‘anormal’ aponta para o fato de que as pessoas negras (pena não caber a todas as pessoas negras) são mais sensíveis para perceber o preconceito, porque são vítimas tanto quanto o menino. A lição de amor a que assistimos por meio de um enredo, no mínimo pueril, reside em respeitar, reside em olhar a força e a graça do outro e não o que está por fora e serve apenas como capa. O grande crime do preconceito é, pois, anular o ser humano.
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