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Nossa crônica

20 set 2017 às 22:49
Obrigada é a principal forma de dizer a uma pessoa que estamos gratos por algo que recebemos. Porém, a palavrinha mágica, muitas vezes, faz parte de nosso vocabulário de forma indiscriminada, falamos sem nos darmos conta do significado que ela comporta. Por isso, hoje me sentei para escrever uma carta de agradecimento ou uma crônica sobre agradecer. Acho que as duas coisas ao mesmo tempo. Quem me conhece sabe que sou ansiosa, daquelas que começam a ler o livro pelo final, ver a revista de trás pra frente. Enfim, aquela estranha sensação de ‘tem que ser agora’ me persegue. Claro que já convivi com pessoas iguais a mim, e isso é bom, porque descobrimos que o que nos faz nos irritarmos ou nos encantarmos com o outro é reconhecer nele os nossos defeitos. Mas voltando à carta, hoje aconteceu algo que me deixou muito feliz. Recebi uma carta de uma Claudia e, como eu, lê do fim para o início. Ansiosa, imaginei! A carta direcionou às crônicas de meu livro A moça que olha pela janela palavras de carinho e elogios indizíveis. Porém, não foram eles que me chamaram a atenção, embora me tenham derretido o coração. Quem me conhece sabe, também, que não consigo deixar de pôr no papel o meu sentir, seja ele de dor, de raiva, de amor. E Ana Cláudia, a moça que me enviou a carta, sem nem imaginar como eu sou, sem nem imaginar que somos igualmente ansiosas, mostrou-me que sentiu, como eu, a dor, o amor, a alegria com que eu escrevo. Fiquei muito emocionada ao saber que ela, ao ler a crônica que escrevi na ACESF enquanto aguardava a liberação do corpo de mamãe, falecida no último 17 de julho, conseguiu captar toda a dor que sentimos quando estamos diante da perda de alguém a quem amamos. Exatamente uma semana depois que escrevi o texto, ela perdeu o tio, e percebeu que o frio ao qual me referia era muito mais forte que o frio daquela noite de julho. Ana Claudia, não sei se o nome nos aproxima, se os resquícios de nossa personalidade parecida se confirmariam em uma convivência, mas senti em cada palavra sua a sensibilidade para perceber. Se eu a descrevi, como assim me contou, você me leu em palavras e em alma. Muito obrigada por seu carinho, obrigada pela leitura atenta de meu livro e por partilhar comigo da ansiedade da vida. Um grande beijo, Cláudia Bergamini.

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