O dia corre lento, uma chuvinha boba insiste em cair, o cinza do céu chega até o quarto, deixando-o bastante melancólico. As luzes do Sol que não brilhou hoje deixam lacunas nos lugares que somente elas poderiam estar, a ausência do calor do Sol que não chegou deixa ainda mais frio o ambiente que somente ele é capaz de aquecer. Lacunas são vazios, são ausências, são supressões que o decorrer do tempo faz existir. Às vezes as lacunas são tão grandes que são incapazes de serem preenchidas. E, quando se perde alguém, o vazio é ainda maior. Lá no íntimo se sentem os malefícios da perda, a dor que a ausência provoca, a tristeza que o vazio causa. Escolhas provocam perdas, provocam mudanças. Mas disse certo poeta que há sempre tempo para o recomeço, há sempre tempo para uma nova oportunidade. Ela virá? Não há resposta senão uma lacuna de silêncio. E na perda, reconhece-se o quanto se necessita do outro, reconhece-se o quanto ele é necessário. Quando se cativa alguém que é como bicho que nunca soube ser cuidado, que nunca soube receber carinho, é preciso ter em mente que a ausência provocará no bichinho uma lacuna ainda maior. Um dia ele vai respirar, ele vai levantar, caminhará altivo pela estrada; por ora, ele é cinza, ele é dor, ele é lacuna de um espaço que só o Sol é capaz de preencher.