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Nossa crônica

29 nov 2017 às 23:06
O que somos?
Ando me perguntando o que permite que sejamos o que somos. Parece boba essa pergunta, mas preciso respondê-la, não para modificar o passado, haja vista ser isso impossível, mas para permitir que o futuro possa ser diferente. Gosto de pensar que somos seres mutáveis, aquela ideia da metamorfose ambulante é a mais pura verdade. Afinal, as ideias precisam estar sempre fora do lugar, os valores permanecem, mas as ideias, que delícia, vão cambiando ao passo que vamos amadurecendo. A experiência nos torna diferentes, ninguém passa por qualquer situação que seja e sai dela da mesma forma como entrou. A experiência significa para a pessoa o que acontece, o que faz sentir, o que faz sorrir, o que faz chorar, o que toca, o que prova. Assim é que se marca a existência; assim é que vamos construindo, paulatinamente, o que somos. Há muito compreendi que a vida é cheia de riscos, de medos, de fracassos, mas também de vitórias, de narrativas outras que se escrevem em bosques floridos. A resposta para a pergunta em torno do que permite ser o que somos é composta apenas por uma palavra. Construção! Somos a construção do nosso viver, e nessa construção é preciso, ainda que isso seja muito difícil, acreditar que a parede de ontem vai se manter lá, mas a que começamos a construir hoje pode ser diferente; colocar, talvez, nela um vidro para que seja possível, ao menos, vislumbrar o horizonte, um vaso com flores para que o concreto não carregue o ambiente, uma janela que permita ao ar adentrar e renovar o espaço, com outros perfumes que não façam emergir as reminiscências de tempos passados. Somos feitos de vivências, somos construção, porque o mais bonito do mundo, ensinou Guimarães Rosa, é que as pessoas não estão sempre iguais, ainda não foram terminadas. Portanto, há sempre a possibilidade de construção.

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