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Nossa crônica

Por Cláudia Bergamini
16 jul 2017 às 21:28

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Sobre o viver e o morrer
Desde que nasce, o homem está destinado a um único e certeiro fim, morrer. No entanto, em que pese o fato de que, para muitas pessoas, a inominável chegue bem cedo, muitas outras cumprem seu tempo aqui vivendo por longos e longos anos. Algumas dessas pessoas vivema, mas estão mortas. Sabe por quê? Ora, a morte primeira é a do coração e, quando ela se faz presente, apenas podemos lamentar. No coração e do coração, morremos! Nele, a morte habita. O problema é que não nos damos conta desse fato. Porém, é por meio do coração que vamos sentindo a morte. Em ritmo lento, ela vai tomando o espaço outrora habitado por vida; em descompasso, ela vai tirando o canteiro de flores e plantando sementes inférteis; em liturgia, ela vai desvelando o ignoto. Adeus ao que enche dias, adeus de mãos vazias. Não há cultura, nem sabedoria, tampouco religião que não tenha, a priori, a presença da morte a partir de duas faces: o aqui e o lá. O primeiro nos é palpável, delicioso não poucas vezes. O segundo é mistério, é ladeira acima ou abaixo. Confundem-se o saber e o não saber numa similaridade inexplicável para justificar a morte do coração. E, para os que em vida morrem, só resta estar na simbiose dos dois universos.
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