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Nossa crônica

Por Cláudia Bergamini
25 abr 2018 às 21:21

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Adolescente tem várias manias, mas há uma que me faz sempre rir: adolescente acredita que sabe tudo da vida. No fundo não acredita. Ele tem certeza! E eu deixo meu lado adolescente eterno, apesar do tempo querer me mostrar o contrário, me levar pelas conversas deles, cheias de sabedoria fugaz. Numa dessas conversas, ouvi sobre o aspecto vanguardista do ficar. Falavam como se pertencesse a este tempo o ato de beijar alguém por apenas uma vez e não namorar. Ficar, tipo assim, um beijo, dois, três... um abraço e amanhã a gente nem lembra o nome da pessoa. Isso é ficar, coisa de adolescente, adulto não entende. Adulto entende e muito, aliás, não só adulto, mas o idoso também, porque ficar antecede a nossos tempos. Flertar, paquerar eram empregados para se referir ao que hoje é ficar, mas que fique claro, o que é pertencente a este tempo é a forma de ficar. Os limites do corpo estão transponíveis, a noção de valores e até a ideia de transgressão são quase inexistentes. Se há três décadas transgredia-se com um abraço mais ousado, hoje é preciso ir muito, mas muito além para transgredir. As relações são mais superficiais e fugazes e, paradoxalmente, mais intensas. O ruim não é constatar que o adolescente conhece pouco do passado, o pior é constatar que os tempos trouxeram evoluções em áreas diversas necessárias ao homem, mas quando o assunto envolve conhecer o próprio homem, sua história e suas práticas sociais, os avanços são pouco perceptíveis. Que pena!
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