Caro leitor, pouco sei sobre você, seu nome completo não vou dizer aqui; vou apenas chamá-lo pelo primeiro nome, Paulo. Sei também que mora na região norte de Londrina e sei, ainda, aliás foi o que me levou a escrever esta crônica, que você acompanha esta coluna desde julho de 2016, quando ela passou a existir. Abri hoje sua mensagem no Facebook. Há dias estava lá, mas ainda bem que li somente hoje, com tempo para ler e reler tudo o que a mim direcionou. Agradeço os elogios direcionados aos meus textos, mas agradeço, sobremaneira, as análises que fez de algumas crônicas e me enviou. Não concordo, apenas, em você dizer que sou especial porque sou escritora. Escritores são pessoas comuns, daquelas que você encontra no calçadão andando rapidamente porque precisa comprar alguma coisa, mas o tempo é curto. Escritores são pessoas que enfrentam filas para pagar contas, para abastecer, para pagar a compra do supermercado em início de mês. São pessoas que choram pelas perdas, que se sentem magoadas com as mancadas alheias, pessoas que estabelecem metas para a vida pessoal. Escritor é gente e, como gente, ora sofre, ora fica contente. São meio poetas também que inventam rimas onde não elas não deveriam estar. De tudo de belo e profundo que me escreveu ficou em mim seu comentário sobre a presença da memória em meus textos. E quando o assunto é memória, tenho que admitir, não tenho um dom para lembrar de fatos já acontecidos, tenho um pesadelo que faz chegar a mim momentos únicos em que fui feliz e outros em que a tristeza tomou conta de meu ser. Quando o assunto é memória, quisera eu poder esquecer aquilo que já foi e não colocar no papel palavras que deixam transparecer tudo o que envolveu o momento da escrita. Se muitos textos são frutos da imaginação, outros tantos são frutos da vivência. E por meio do viver vamos construindo a memória. Esta é, pois, o fruto do nosso caminhar, ela é o resquício descontínuo do passado, está suscetível ao presente, porque há fatos que a despertam. E quando se tem a capacidade de pôr no papel o sentir, os textos são a reconstrução de momentos nossos que ecoam do nosso consciente. Memória é rio que corre no coração, é dor que brota da solidão, é alegria que emerge quando há comoção. Obrigada por sua mensagem e receba esta crônica como resposta às perguntas que me fez sobre a persistência da memória em meus textos.