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Nossa crônica

04 fev 2018 às 20:57
E há lógica?
Não sei porque tenho pensado muito na lógica e no ilógico. Em meu pensar, deduzo, hipotetizo, infiro, visando a determinar para mim o que é verdadeiro ou não. E em busca de uma lógica para o que tenho em mãos, apenas encontro um caminho desconexo. Não há certeza sobre o que será melhor ou o que será prejudicial. Na realidade, não há certeza nunca, ela é névoa esfacelada por ação e vazia de sentido. Dentro dos conceitos que construí - insólitos conceitos - entendo que o julgar é por duas vezes sofrer, nem julgar o todo, nem julgar a parte. Já feito, o que posso mudar? Nada, absolutamente nada. Medir talvez seja mais adequado que julgar. Medir ações, medir palavras, medir o olhar. Medir até nada encontrar, porque nenhum conhecimento obtido em relação a uma pessoa é completo, assim, não tenho o direito de julgar e tampouco de ser julgada. Meçam as ações. Não me importo. Mas não julguem, pois a impureza do juízo reside no não conhecer. Hipotetizem, inferam, deduzam, mas não esqueçam que no interior residem segredos, dores, vontades que ninguém até eles é capaz de chegar. Se há complexidade no julgar, mais ainda existe no entendimento da alma humana. Não queiram mudar a natureza e o curso da vida de alguém, porque a água sempre encontra uma forma de correr até o mar.

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