Além de atribuições como orquestrar a administração da instituição, o fazer pedagógico e a relação com a comunidade, o ir e vir seguro de alunos e responsáveis está no topo das prioridades da diretora da Escola Municipal Senador Gaspar Veloso, Sheila Lúcia Brandão. Localizada na zona norte de Londrina, a escola acolhe 440 alunos e muitos deles estão sofrendo as consequências da passarela interdita na rodovia João Carlos Strass, acesso à escola.
A passarela foi abalroada no dia 14 de agosto e parte da estrutura veio ao chão. "Inclusive hoje a avó de um aluno chegou a chorar de tanta preocupação. É um problema que está afetando diretamente alunos e os pais." Segundo Brandão, os alunos são dos bairros Sebastião de Mello e Beleville, Planalto, Violin e Vista Bela. "Os horários de pico do trânsito também são os de entrada e saída da escola e por isso o risco é grande. Antes, as famílias esperavam do outro lado da passarela, agora o risco é duplo. Nosso apelo é que instalem um sinaleiro provisoriamente ou que façam a sinalização com agentes. Nossa perspectiva é desanimadora e tememos que nem em fevereiro de 2016 a passarela já esteja pronta", teme.
Em abril, reportagem do NOSSODIA já denunciava as condições da passarela. Na ocasião, a estrutura já possuía rachaduras, infiltrações e chegou a se deslocar sobre os pilares de concreto após consecutivos choques de veículos. Além disso, as barras de aço se desprendiam e havia fendas abertas no piso de concreto. (Walkiria Vieira/NOSSODIA)
Se recuperando de cirurgia, Eduardo Telles sofre para atravessar
a pista
Vizinha à passarela desde 2003, a pensionista Clarice de Almeida dos Santos, 82 anos, confirma que sem a passarela, mais pessoas estão colocando a vida em risco para chegar ao destino desejado. "Está sendo um transtorno. É muito perigoso e a estrutura está bastante danificada. Pode ver, ainda tem pedaços de carros aqui. Direto batem e a coluna tá se desfazendo", aponta. A faxineira Nilva Célia Lago de Souza, 52 anos, admite que atravessa a rodovia. "Agora não tem outro jeito. Tenho que ficar me matando na frente dos carros e se você ficar pra ver, vai se arrepiar de ver crianças e mulheres correndo dos carros", afirma. Sandra Rodrigues, 39 anos, mora no Jardim Planalto e relata que a passarela desativada virou um risco. "Levo e busco meu filho na escola e se for usar a outra passarela, são 20 minutos a mais para andar, então me arrisco". Moradora do Jardim Vista Bela, também na zona norte, a passadeira de roupa Kátia Rosa Miguel, 32 anos, espera que o conserto seja o quanto antes. "Estou andando mais. E como não sou de andar rápido e não tenho coragem de atravessar a rodovia, é meia hora a mais de caminhada" diz. Para o tosador Eduardo Telles, o acidente com a passarela não poderia vir em pior hora. "Fiz um cirurgia no joelho. Passo aqui para fazer fisioterapia e ir à farmácia. Mesmo dando toda a volta, os motoristas não respeitam. É uma travessia perigosa", lamenta. Já a auxiliar de enfermagem Erenilde Gelinki, 50 anos, dispensa a passarela há tempos. Ao lado da amiga, a faxineira Idala da Silva, 50 anos, caminha pela marginal. Ela considera que a passarela precisava ainda de vigilância. "Maconheiros acabam inibindo os moradores que até evitam usar a passagem. Sem contar que os motoqueiros vivem cortando caminho pela passarela e isso também contribuiu para danificar o piso da passarela", acredita. (W.V.)
De acordo com a assessoria de imprensa do Departamento de Estradas de Rodagem do Paraná, não houve alteração no cronograma já previsto, desde a interdição. "Estamos em processo licitatório e o prazo estimado é de 60 dias. Enquanto isso, continua interditada e depois do resultado da licitação serão mais 120 para a conclusão da obra." De acordo com a assessoria, será no mesmo modelo. "Será refeito o concreto e a parte metálica será recuperada. (W.V.)