Após três meses de muito treinamento em Londrina, o lutador Maiquel Falcão precisou de apenas 59 segundos para derrubar seu adversário, o norte-americano Brett Cooper, na categoria até 84kg. O combate ocorreu no fim de semana passado, no KSW 32, realizado na tradicional Arena Wembley, na Inglaterra. Além do mais rápido, o nocaute foi considerado o mais bonito da noite, rendendo, além da premiação pela vitória, um bônus como reconhecimento. Triunfo recolocou o brasileiro no caminho do cinturão do maior evento de MMA da Europa.
Direto da Inglaterra, por meio da rede social, antes de embarcar para Londrina, ele e seu treinador Orestes Betran falaram um pouco da alegria após o 24° nocaute na carreira. O norte-americano estava engasgado, pois disse à imprensa que iria vencer Falcão sem maiores dificuldades. Para que isso não acontecesse, o brasileiro estudou bem o jogo do adversário e executou a sequência de socos que havia treinado em Londrina. "Sabíamos que ele abaixava a mão esquerda nas suas lutas e trabalhamos muito os socos por cima."
Após ter o braço levantado como vencedor, em Wembley, Maiquel não escondeu a vontade de fazer a revanche com o polonês Mamed Khalidov, um dos grandes nomes do KSW. Falcão perdeu para o polonês em 2014, após ser finalizado com uma chave de braço. Mamed irá disputar o cinturão da categoria no próximo dia 28, contra seu compatriota Michal Materla. "Não quis dar recado para ninguém. Luto com quem a organização quiser. Porém, quero lutar com Mamed Khalidov de novo. Na época em que lutamos, eu estava sozinho, não tinha treinador. Hoje tenho treinadores, uma equipe e acho que esta luta pode ocorrer novamente", disparou ele à imprensa polonesa.
Mesmo assim, Falcão e Betran não demonstram ansiedade e mantêm os "pés no chão". Mas a possibilidade de disputar o cinturão do KSW não está descartada. "Por contrato, temos mais duas lutas no KSW. Queremos renová-lo e depois chegar ao cinturão", explicou Orestes Betran. Maiquel também tem passagens vitoriosas pelo UFC e Bellator (principais organizações de MMA do mundo). "O KSW é uma organização que valoriza muito bem os seus lutadores e estou muito feliz lá. Diferente do UFC, que paga muito pouco", disse ele na edição 337.
Em outubro, o mundo da luta foi sacudido com o anúncio de um novo "superevento" de MMA. Trata-se do japonês Rizin Fighting World Grand Prix, organizado por Nobuyuki Sakakibara, ex-dono do Pride, considerado ainda como maior show de MMA de todos os tempos. O Pride foi extinto em 2007 após aquisição do UFC. Sakakibara, que mantém parceria com o KSW, estava presente na Arena Wembley no último fim de semana, atrás de lutadores para participar da primeira edição do Rizin Fighting, marcada para dezembro. Depois do nocaute em Cooper, o lutador passou a ser cogitado a integrar o card do evento japonês.
Falcão é natural de Pelotas (RS), mas tem Londrina como sua casa. Em entrevista ao NOSSODIA, antes de embarcar para Inglaterra, admitiu o sonho de se mudar para o Norte do Paraná definitivamente. Desejo que poderá ser realizado em 2016. Agora o lutador soma 35 vitórias na carreira, sendo 24 por nocautes, e apenas sete derrotas em 11 anos de MMA. (P.M.)