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NO VERMELHO - Londrina fecha 2017 com saldo negativo de empregos

28 jan 2018 às 20:29

Londrina foi a segunda cidade do Estado, a quinta da Região Sul e a 28ª do País que mais fechou vagas em 2017. O município terminou com saldo negativo de 1.970 empregos (66.622 admissões e 68.592 desligamentos) no ano passado, e no Paraná ficou atrás apenas de Curitiba, que fechou 7.920 vagas em 2017. Na Região Sul, Porto Alegre (RS) foi a cidade com o maior saldo negativo (-9607). Os dados, do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), foram divulgados nesta sexta-feira (26) pelo MTE (Ministério do Trabalho). Apesar de negativo, o número representou uma desaceleração da queda do número de empregos formais no município, já que em 2016 o saldo negativo tinha sido ainda maior, de 3.978. Em dezembro, a cidade também teve saldo negativo, de 1.538 vagas (3.956 admitidos e 5.494 desligados).
Apenas três setores de atividade apresentaram saldo positivo em 2017 em Londrina: Comércio (47), Indústria da Transformação (22) e Serviços Industriais de Utilidade Pública (11). Serviços (-1.306), Construção Civil (-653), Agropecuária (-78), Administração Pública (-11) e Extrativo Mineral (-2) apresentaram saldos negativos.
"O ano de 2017 foi dramático para Londrina", avalia o economista e colunista da FOLHA, Marcos Rambalducci. Ele observa que os setores de Serviços e de Construção Civil foram os que mais afetaram a cidade. "Quando a economia vai mal, as pessoas deixam de cortar o cabelo, de ir ao dentista, de pagar a faculdade, de viajar. Em Londrina, praticamente 80% do PIB é do setor de Serviços. E quando a sociedade está empobrecida, ninguém compra apartamento." Segundo Rambalducci, o baixo nível de emprego do setor de Construção Civil é reflexo de decisões tomadas cerca de um ano atrás. Por isso, a reação positiva do setor à economia terá reflexos somente daqui a um ano. "O setor de Construção Civil tem um tempo de maturação. Está reagindo, mas as repercussões vão aparecer só daqui a um ano."
Em dezembro, os números da Indústria (saldo de -413) refletem a sazonalidade do setor. No final do ano, empresas do setor deram férias coletivas aos seus funcionários, mas aproveitaram para fazer desligamentos. "Como janeiro e dezembro são cruéis para a indústria, isso acabou sacramentando a redução dos postos de trabalho do setor, que vinha reagindo", comenta o economista.
Para ele, no ano de 2018 a expectativa é a geração de empregos melhorar em Londrina em função da própria Indústria. "Os anos de 2016 e 2017 foram cruéis porque Londrina não tem um setor industrial que se sobrepuja." O economista explica que é esse setor que traz "renda nova" ao município, porque fabrica localmente mas vende para o mundo todo. "Enquanto a indústria não injeta dinheiro novo, os outros setores não conseguem sobreviver por si só. Como Londrina tem um setor industrial pequeno, leva mais tempo para reagir."
Em 2018, entretanto, há sinais de maior otimismo da indústria, o que deverá refletir em uma mudança do quadro que poderá ser percebida no segundo trimestre. "Percebemos o industrial investindo. Isso significa que em um segundo momento vai precisar de mais empregos", afirma Rambalducci. (Mie Francine Chiba/Grupo Folha)


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