O frio, a chuva, a torcida, enfrentar a campeã no seu país. As dificuldades são várias, porém pequenas se comparadas as dificuldades das ruas, superadas pela londrinense Waléria dos Santos, hoje com 37 anos, que irá desafiar a uruguaia Cecilia Comunales, 27 anos, dona do cinturão mundial de boxe, na categoria peso-galo, pela Associação Mundial de Boxe (AMB) . O duelo ocorre no sábado, na capital do Uruguai, Montevidéu.
Waléria lidera o ranking feminino brasileiro de boxe e, por isso, ganhou a chance de encarar a campeã. Descobridor do talento da londrinense para a luta, José Nicolau, o mestre "Mestre Kim", avalia o duelo. "O desafio será, com certeza, muito difícil. A uruguaia é uma das principais lutadoras do mundo, tem um cartel vitorioso. Para complicar, é uma atleta muita alta e técnica", comenta Nicolau. Sobre a altura ao qual se refere, a atual campeã tem 1,75m, contra 1,60m da brasileira.
Para ele, a brasileira tem de partir para dentro e evitar a decisão dos juízes. "Acho que a chance da Waléria é nocautear. Waléria tem uma direta muito forte. Se entrar a sua mão direita, a uruguaia vai sentir", explica ele. "Quanto mais a luta se esticar, melhor para sua adversária. Além disso, a luta será no Uruguai e isso talvez possa influenciar na decisão dos juízes a favor da Cecilia", avalia o treinador.

Musa uruguaia Cecilia Comunales é a atual dona do título
O cartel atual da londrinense é de 25 vitórias e apenas três derrotas. Esta é o seu quarto combate internacional. Mas a luta de Waléria começou antes. De acordo com José Nicolau, a atleta encontrava-se nas ruas de Londrina. "Eu a encontrei numa situação bem grave. Passava por uma rua de Londrina e fui surpreendido por ela, que me falou: ‘o senhor é lutador. Então me pega para treinar’. Eu a convidei para fazer parte do nosso projeto social e ela não parou mais de treinar. Deixou as coisas ruins para trás e se tornou uma vencedora", relembra ele. Mestre Kim mantém o projeto social em Cambé, chamado Liga Paranaense dos Dragões, onde ensina artes marciais a crianças e jovens carentes, com o apoio da Cufa Paraná. (P.M.)