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NO UNIÃO DA VITÓRIA - Uma lição de encher a boca

04 dez 2016 às 22:58


Quando em um mesmo evento uma culinarista especializada em doces e uma dentista se encontram, pode-se imaginar que as divergências venham à tona, certo? Ao contrário. Do ponto de vista da ortodontista e ortopedista facial Angela Niero, criança pode comer doce, sim. "O segredo está no equilíbrio, como em tudo na vida", enfatiza. Niero e dentistas que integram o grupo Qualidade em Saúde estiveram no Instituto Eurobase, no conjunto União da Vitória, zona sul de Londrina, para orientar os estudantes que frequentam o espaço durante o contra turno e falar a respeito de higienização e cuidados diários. "Somos 700 dentistas em todo o Brasil e nosso foco é a prevenção, pois prevenir é melhor do que remediar e muito mais gostoso. Sem contar que hoje temos condições de diagnosticar precocemente".
A tarde de recreação teve algodão doce, sorvete, bombons, cama elástica, refrigerante, bolo e até o "Bom Velhinho" passou pelo Eurobase para distribuir balinhas aos pequenos. Expert em doces e dona de receitas de dar água na boca, Fátima Oliveira arregaçou as mangas e correu para que a tarde fosse perfeita. "Essa é a primeira vez que venho aqui", diz. O lado solidário da culinarista fala alto e dentro de sua agenda organiza atividades em que ensina mulheres em situação de vulnerabilidade a fazerem cupcakes, bolos, trufas e doces finos. O marido e filha de Fátima também participaram – ele fotografando, ela pintando as crianças. "Recebemos doações e ficamos muito felizes em poder fazer a diferença na rotina das crianças", revela Fátima.


Criançada fez a festa com brincadeiras e guloseimas

Fazer pelo outro
Para a assistente social e diretora da unidade, Marisa Goettel, as visitas são sempre bem-vindas. "Ajudar uma instituição não requer colocar a mão no bolso. Dedicar uma hora profissional ou ensinar o que sabe é fazer pelo outro, esse é o verdadeiro sentido da solidariedade", diz. Para a educadora social Liane Rebouças Santos, cada pessoa que conhece o projeto pode ser um multiplicador. "A comunidade é carente, precisa de atenção e mostrar as condições em que vivem é uma forma de mobilização", afirma. Eduardo Silva, 9 anos, é umas 150 crianças assistidas pelo Eurobase. Ele conta que a mãe está sempre pedindo que escove os dentes. "Minha escova é de carro de corrida" conta.(W.V.)

Dente de leite, olho vivo
Aos 12 anos, Emanuelly de Oliveira ainda tem alguns dentes de leite e admite que poderia cuidar melhor dos dentes. "Ainda mais que eu vou precisar usar aparelho e sei que vou ter que redobrar os cuidados". O dentista especializado em implantodontia Carlos Augusto Comar confirma a informação da estudante e alerta sobre a atenção que deve ser dada à primeira dentição. "As crianças menores não possuem coordenação suficiente para uma escovação completa, então é preciso que os responsáveis orientem. E quando vão ganhando independência, cuidar para fazem a higiene com escova e fio dental sempre. "Comar explica que uma das funções dos primeiros dentes é dar espaço aos permanentes. "Mas um dente de leite com cárie, além da dor e dos problemas de infecção, pode trazer problemas para a dentição futura", reforça. Lydia Fedrigo, presidente da Instituição, destaca a relevância do evento. "Aqui também temos um trabalho com adultas, voltado para a geração de renda." Há situações em que a falta dos dentes as priva, cria uma barreira social. "Por mais qualificadas que sejam, não conseguem se inserir no mercado", afirma. (W.V.)


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