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No limite - Cansaço ou ‘tiriça’?

Micaela Orikasa
Grupo Folha
04 fev 2018 às 20:43

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Segunda-feira. O alarme desperta o corpo para um novo dia de compromissos e é extremamente normal que haja pouca disposição ou lentidão para executar tais atividades. Afinal de contas, não dá para estar 100% disposto todos os dias. Mas vamos imaginar que essa indisposição seja tamanha a ponto de transformar qualquer tarefa em um verdadeiro sacrifício. Foi assim que a publicitária Lavínia Rocha, 20, se sentiu nos últimos meses. Apesar de dormir cerca de 10 horas por dia, ela se sentia sonolenta o tempo todo. "Acordava cansada, desanimada e ainda tinha dores de cabeça e no corpo", conta.
Foi a primeira vez que Rocha sentiu isso. Sem saber o que fazer, compartilhou a situação em um grupo de uma rede social e buscou orientação médica. "Fiz exames de sangue inclusive para verificar o funcionamento da tireoide, mas estava tudo certo. Já no grupo me indicaram várias alternativas, como mudar a alimentação e fazer exercícios", diz.
A doutora em Ciências na área de Saúde Coletiva, Maíra Rosa Apostólico, explica que a pouca disposição ou lentidão para ao trabalho estão relacionados com a preguiça, que no conhecimento popular são tratados como cansaço, mas do ponto de vista de saúde os termos podem ter uma compreensão diferente.
De acordo com ela, a estafa ou cansaço excessivo podem ser um sintoma de uma patologia. "Há diversos tipos de estressores presentes no nosso dia a dia e que provocam diferentes reações nos indivíduos. A maioria da população supera os desafios e constrói formas de se adaptar, mas outros transformam essas frustrações em sintomas físicos e mentais", afirma.

FALÊNCIA
Quando nosso sistema de "defesa" às adversidades e fatores estressantes no dia a dia falha, o corpo chegará ao limite e desencadeará diferentes sintomas. A psiquiatra em Londrina, Patrícia Alves Pereira Pinto, diz que geralmente, a primeira alteração acontece no sono e na alimentação. Logo podem ser percebidos cansaço físico e mental, sudorese, palpitação, dores pelo corpo e, se nada for feito em um médio prazo, os prejuízos podem se agravar para um infarto, derrame cerebral, depressão, síndrome do pânico, entre outros. "Em uma situação de estresse, seja momentânea ou contínua, são liberados principalmente os neurotransmissores cortisol e adrenalina. Pontualmente, essa ação é necessária no organismo, mas quando ela é constante, causam danos orgânicos", explica. De acordo com ela, o cérebro passa a reagir com perda de memória, dificuldade de raciocínio e concentração. Mas o cansaço excessivo também pode ser uma manifestação clínica de doenças da tireoide, como o hipo e hipertireoidismo (deficiência e excesso de hormônios da tireoide, respectivamente). Ambas acometem principalmente as mulheres e, apesar de estarem ligadas ao envelhecimento, podem atingir crianças e jovens. O endocrinologista em Londrina, Otton Luis Raffo, acrescenta ainda que nos homens, a fadiga pode ser um sinal do hipogonadismo (deficiência de testosterona). Mas o médico ainda cita outras possíveis reações do organismo relacionadas ao estado constante de indisposição. "Pode ser desde uma falta de vitamina, como a B12, assim como deficiência de ferro e diabetes descontrolado. São inúmeras possibilidades que podem ser investigadas", diz ele, ressaltando que no consultório, atende pelo menos um paciente com queixa de estafa por dia.
"A queixa mais comum é a falta de sono em decorrência da rotina atribulada, do estresse. E, ao meu ver, o sedentarismo tem levado as pessoas a um círculo vicioso de cansaço", completa. (M.O.)


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