Numa casa de madeira, ouvindo música instrumental, o morador avisa: "faz favor, pode entrar, mas não repara porque é casa de pobre". Com as mãos calejadas da lida com a madeira, Jorge Alberto de Souza Carloto, 50 anos, atendente de farmácia e artesão de madeira nas horas vagas, logo apresenta um pouco de sua arte com toda mansidão.
Pelas suas mãos, guardas de cama viram bancos robustos e confortáveis. Um toco encontrado em uma caçamba na rua ganha entalhes e dois espíritos santos ganham vida. No primeiro plano da sala, lá estão os bancos de madeira para crianças, inspirados no programa "A Praça é Nossa". Pintados de branco, rosa ou na cor escolhida pelo freguês, o artesão admite que as peças são suas meninas dos olhos.
Entre panelas de ferro, moedores de café e mitas peças em madeira, ligadas ao homem do campo, o artesão que anda com os pés descalços explica: "Isso vem dos meus bisavós, eram da Itália. Sempre fui de andar de pé no chão", confessa. Na casa onde vive na rua Vênus, Zona Oeste de Londrina, Carloto se orgulha de morar numa construção com mais de 50 anos e toda feita em peroba.
Bom de cozinha, ele também não nega as origens italianas. Quando decide fazer uma pizza, por exemplo, é da massa ao recheio. "Pra mim todo serviço é serviço. Venho de família humilde, já trabalhei em padaria, sei fazer serviço de pedreiro, encanador... Esses servicinhos de casa a gente não tem como ficar pagando", diz.
Há 15 anos, Carloto ganha a vida como atendente de farmácia no mesmo bairro onde vive e coleciona amizades. "Sou um pouco psicólogo. Às vezes a pessoa chega, se abre, diz que passa por um problema, umas falam que estão pensando em se separar e na medida do possível ajudo. Acredito que é melhor consertar a velha estrada do que fazer uma nova", ensina.
Pai de cinco filhos e separado, enquanto está de férias em casa segue fazendo seus trabalhos de madeira. Sempre inspirado pela música. "Sou da época antiga, sou do romantismo. A palavra faz a gente refletir e a música a sentir", filosofa.
Com um olhar treinado, o artesão enxerga muito mais do que apenas um pedaço de madeira perdido em algum lugar. "Mexer com a madeira para mim é um momento mágico. Um tronco de árvore abandonado, um galho de madeira ou restos de calha bem acabados podem ganhar forma. A madeira é assim: ela se transforma. Minha mãe é ligada no 220 e meu avô era carpinteiro. Meu pai é mais zen e eu sou um pouco de cada. Então, só de olhar pra madeira, já sei no que vai dar", conclui.(Walkiria Vieira/NOSSODIA)
Pelas suas mãos, guardas de cama viram bancos robustos e confortáveis. Um toco encontrado em uma caçamba na rua ganha entalhes e dois espíritos santos ganham vida. No primeiro plano da sala, lá estão os bancos de madeira para crianças, inspirados no programa "A Praça é Nossa". Pintados de branco, rosa ou na cor escolhida pelo freguês, o artesão admite que as peças são suas meninas dos olhos.
Entre panelas de ferro, moedores de café e mitas peças em madeira, ligadas ao homem do campo, o artesão que anda com os pés descalços explica: "Isso vem dos meus bisavós, eram da Itália. Sempre fui de andar de pé no chão", confessa. Na casa onde vive na rua Vênus, Zona Oeste de Londrina, Carloto se orgulha de morar numa construção com mais de 50 anos e toda feita em peroba.
Bom de cozinha, ele também não nega as origens italianas. Quando decide fazer uma pizza, por exemplo, é da massa ao recheio. "Pra mim todo serviço é serviço. Venho de família humilde, já trabalhei em padaria, sei fazer serviço de pedreiro, encanador... Esses servicinhos de casa a gente não tem como ficar pagando", diz.
Há 15 anos, Carloto ganha a vida como atendente de farmácia no mesmo bairro onde vive e coleciona amizades. "Sou um pouco psicólogo. Às vezes a pessoa chega, se abre, diz que passa por um problema, umas falam que estão pensando em se separar e na medida do possível ajudo. Acredito que é melhor consertar a velha estrada do que fazer uma nova", ensina.
Pai de cinco filhos e separado, enquanto está de férias em casa segue fazendo seus trabalhos de madeira. Sempre inspirado pela música. "Sou da época antiga, sou do romantismo. A palavra faz a gente refletir e a música a sentir", filosofa.
Com um olhar treinado, o artesão enxerga muito mais do que apenas um pedaço de madeira perdido em algum lugar. "Mexer com a madeira para mim é um momento mágico. Um tronco de árvore abandonado, um galho de madeira ou restos de calha bem acabados podem ganhar forma. A madeira é assim: ela se transforma. Minha mãe é ligada no 220 e meu avô era carpinteiro. Meu pai é mais zen e eu sou um pouco de cada. Então, só de olhar pra madeira, já sei no que vai dar", conclui.(Walkiria Vieira/NOSSODIA)
SERVIÇO:Quem quiser conhecer os trabalhos do artesão Jorge Carloto pode ligar para o número 3328-7691 e agendar uma visita.