Em Londrina, mil motoristas são autuados por ano por estacionar de forma irregular em espaços reservados Imagine estacionar em uma vaga destinada a deficientes físicos e ter o veículo todo coberto por adesivos coloridos, que formam o símbolo usado para indicar vagas para pessoas com deficiência. Foi o que aconteceu com um motorista de Maringá na última quarta. A ação, organizada por um canal de humor, foi gravada e viralizou nas redes sociais.
Apesar de suspeitas de que o condutor fosse um ator integrante do canal, a história terminou com multa por estacionamento irregular, uma prática mais comum nas cidades do que se imagina. Em Londrina, somente em 2014 foram aplicadas mais de mil multas por estacionamento irregular em vagas exclusivas – seja para deficientes físicos, seja para idosos.
Quem tem o direito de ocupar estas vagas e vê o espaço sendo utilizado por quem não se enquadra nas regras fica revoltado. O aposentado Raul Palegari, de 66 anos, chegou a acionar a CMTU para notificar um condutor que estacionou "metade" do carro dele em uma vaga para idosos. Na posição em que o carro irregular ficou, era quase impossível o idoso manobrar para sair da vaga. O autor da infração acabou chegando, no entanto, antes da CMTU. E foi embora sem ser autuado. "Não é a primeira vez que vejo pessoas fazendo isso. Acontece direto, largam o carro por três, quatro horas na nossa vaga. Falta fiscalização", lamentou Palegari.
O taxista Luiz Sérgio Zaninelli, de 58, já cansou de ver motoristas infringindo o que prevê o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) neste sentido. "Isso acontece principalmente perto de supermercados", pontuou. "É uma falta de respeito muito grande. Mesmo que não tenha vagas para mim, não paro de jeito nenhum na vaga exclusiva. Não sabemos quando alguém pode precisar", emendou a educadora Ivanira da Silva, de 35.
FISCALIZAÇÃO
Para o diretor de Trânsito da CMTU, Hermeson de Oliveira Pacheco, falta civilidade e empatia por parte dos motoristas que insistem em estacionar onde não podem. "É questão de se conscientizar mesmo, de se colocar no lugar do outro, de pensar que um dia também vamos ser idosos ou podemos ter uma deficiência física futura e precisaremos dessas vagas", alertou.
A expectativa, observa ele, é que a CMTU reforce em breve a fiscalização com o uso de motocicletas pelos agentes. A companhia também planeja intensificar as ações educativas em escolas e entre os motoristas. A partir disso, a fiscalização, define, será mais rigorosa e não de orientação.
Estacionar em vaga exclusiva para deficiente físico ou idoso implica em multa grave, que custa ao infrator R$ 127,69 mais cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Para usar uma destas vagas sem estar sujeito à punição, é preciso que o idoso ou deficiente físico obtenha credencial junto à CMTU. O documento, no ato do estacionamento, precisa ser deixado no painel do veículo para verificação dos agentes. (A.L.)